Americano vence Botafogo e vai à final

A final da Taça Guanabara será disputada, de forma inédita, por dois clubes de menor investimento do interior do Estado do Rio de Janeiro. A exemplo do trio Flamengo, Fluminense e Vasco, o Botafogo está eliminado do primeiro turno do Campeonato Carioca, ao perder hoje para o Americano, por 2 a 1, em pleno Maracanã lotado. O Americano, clube de coração de Eduardo Vianna, presidente afastado da Federação do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) sob acusação de evasão de renda e outros crimes, mantém o sonho de igualar o feito de 2002, quando se sagrou campeão da Taça Guanabara. "O grupo honrou a camisa do Americano. Deus ajuda quem trabalha. Agora vou comer filé mignon. Não respeitaram a gente", desabafou o zagueiro Ciro, referindo-se à provocação do volante Túlio durante a semana - ele tinha expressado sua vontade de se vingar do adversário, que nas últimas duas edições do Carioca "roubara" a vaga do time de General Severiano nas fases decisivas. Do lado do Botafogo, Alex Alves estava desolado. Nem o gol marcado hoje, que lhe valeu a artilharia do Carioca com 5 gols, ao lado de Sorato, serviu como consolo."Faltou o time chegar um pouco mais no ataque e também ter calma na hora das finalizações". O início de jogo não poderia ter sido melhor para o Americano, que não se intimidou com o bom número de torcedores do Botafogo no Maracanã. Logo aos cinco minutos, o atacante Marco Antônio aproveitou uma falha infantil do zagueiro Scheidt, driblou com categoria o lateral-esquerdo Marquinhos, e quase na entrada da pequena área chutou rasteiro no contra-pé do goleiro Jefferson: 1 a 0. Um bonito gol. Com três volantes em campo, o Botafogo esbarrava em suas limitações técnicas para crias jogadas. Diante da falta de criatividade, a alternativa foi arriscar chutes de fora da área. Ramon, por duas vezes, ameaçou com perigo o gol de Erivélton. E o Americano, com o placar favorável, se retraiu, abdicando do ataque. Insatisfeito com a pouca movimentação dos atacantes do Botafogo, o técnico Paulo Bonamigo promoveu uma alteração no intervalo: entrou Ricardinho no lugar de Caio. A ordem do treinador no vestiário era a de empatar o jogo nos primeiros minutos da etapa final para dar mas tranqüilidade ao time. E teve uma ótima oportunidade para cumprir a meta. Juca lançou Alex Alves, que, sozinho na área do Americano, finalizou em cima do goleiro Erivélton. O tempo passava e, ao mesmo tempo, o Botafogo se mostrava mais nervoso. A equipe de Campos manteve a tática de explorar o contra-ataque para decidir o confronto. Mas não contava com o pênalti cometido por Ciro em cima de Ricardinho, aos 34 minutos. Alex Alves cobrou bem e empatou: 1 a 1. Quando parecia que a vaga para a final da Taça Guanabara seria decidida em cobranças de pênaltis, o atacante Washington, de cabeça, fez o segundo gol do Americano, em condição irregular. A zaga do Botafogo, mais uma vez, apenas assistiu ao lance. Já era tarde para reagir.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2005 | 18h35

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