Amigos visitam árbitro em Jacareí

As visitas de amigos a Edilson Pereira de Carvalho começaram ainda de madrugada em sua casa, em Jacareí (SP), na região do Vale do Paraíba. O árbitro, acusado de manipular jogos do Campeonato Paulista e do Brasileirão, foi libertado no início da madrugada de quinta em São Paulo e chegou em sua casa por volta das 2h15 da manhã."Desde então viemos para cá para dar uma força para ele, que está muito abalado", disse um amigo, que se identificou como Daniel Oliveira. Carvalho se manteve dentro de casa e em momento algum quis atender a imprensa. "Ele tem que descansar, depois falará com os jornalistas, em data a ser marcada", justificou seu advogado, Marcelo Jacó. No início da manhã a doméstica da residência disse, por telefone, que ele viajara com a família, mas a informação foi desmentida por amigos e pelo advogado.Para os amigos, o árbitro "vai pagar com o fim de uma carreira brilhante por um erro que cometeu". "Todos nós somos passíveis de erro. Temos que ajudar neste momento, e não julgar", defendeu Oliveira. A opinião dos amigos, porém, não é a mesma dos vizinhos do condomínio onde ele mora com a família. Indignados com a fraude, torcedores que passavam em frente ao portão do residencial faziam questão de se manifestar. "A gente pensou que a corrupção estava só na política. É muito triste, para qualquer torcedor, de qualquer time, ver uma coisa dessa acontecendo", disse a dona de casa Márcia Garcia. Um outro vizinho, que preferiu manter o anonimato, afirmou estar decepcionado com a atitude do árbitro. "Como pode uma pessoa se vender dessa forma? Tem que ser punido sim e os jogos revistos". Nas ruas do centro da cidade o assunto também rendeu comentário. "É uma vergonha para a cidade um homem como ele se prestar a esse tipo de corrupção. Juiz corrupto, é isso que ele é", esbravejou o aposentado Eduardo José Matias, torcedor do Corinthians. Edílson Pereira de Carvalho está à disposição da Justiça e, por ter colaborado com as investigações, não teve a prisão temporária prorrogada. "Ainda estamos estudando como será feita a defesa dele. No momento, isso é muito prematuro", afirmou o advogado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.