Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Amistoso com o Catar é teste para medir reações envolvendo Neymar

Seleção brasileira entra em campo nesta quarta-feira, às 21h30, no Mané Garrincha, em Brasília

Marcio Dolzan / Enviado Especial / Teresóppolis, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2019 | 04h40

Neymar continua com prestígio na seleção brasileira. Mas a acusação de estupro que recaiu sobre ele às vésperas da Copa América preocupa. O temor é que o caso tenha influência no desempenho não só do atacante como de toda a equipe. Por isso, o amistoso desta quarta-feira, às 21h30, contra o Catar, em Brasília, servirá como uma espécie de termômetro. A expectativa é sobre como o público tratará o atacante e como ele reagirá se for alvo de uma reação negativa. Também existe o medo de que os outros jogadores sintam um eventual “baque”.

Oficialmente, o problema extracampo não interferiu na maneira como Neymar é visto pela comissão técnica, por seus companheiros e pela direção da CBF. Na terça, em Paris, onde participa do Congresso da Fifa, o presidente da entidade, Rogério Caboclo, descartou dispensar o atacante. “Temos total confiança em Neymar. Sabemos a pessoa que é, o homem que é, o atleta que é e temos total confiança de que tudo vai ser esclarecido”, disse.

No entanto, ainda que ninguém admita claramente, há o temor de que a repercussão negativa do caso – Neymar tem contra si em São Paulo o Boletim de Ocorrência em que é acusado de estupro por uma mulher de 26 anos, além de uma investigação no Rio por possível crime virtual por ter divulgado imagens da suposta vítima – afete a seleção durante o torneio continental.

Caboclo procura ser otimista e acreditar que o foco do grupo não será perdido em função da polêmica. “Não acredito (que afete), o ambiente (da seleção) está muito tranquilo. Tentamos levar (o caso) com naturalidade, o mais importante é que não afete os jogadores”, afirmou. “Nada está afetando o comportamento da equipe e da comissão técnica. Todos estão focados na Copa América”, insistiu.

Manter o foco, aliás, tornou-se uma tarefa extra para o técnico Tite desde que o caso explodiu. Na segunda, ele concedeu entrevista e, embora mantivesse o tom calmo, estava visivelmente incomodado e constrangido por ter de responder quase que exclusivamente sobre a nova confusão envolvendo Neymar. E deixou claro que seu principal objetivo é trabalhar para que nenhuma reação externa abale o ambiente.

“Eu não posso me fazer comentarista nem me transpor a outras pessoas. Tenho uma série de responsabilidades, energia para gastar no que é importante, que é a preparação da equipe”, disse a certa altura da entrevista. “Quero que vocês entendam que meu foco é a preparação para o jogo com o Catar, 23 atletas em busca de desempenho. Se eu ficar buscando, fazendo projeções, vai consumir minha energia e me tirar do meu foco.”

Em seu esforço, o treinador até colocou Neymar como apenas uma peça em toda a engrenagem. “Neymar é um jogador diferente, mas para ele acontecer há um processo. A equipe está acima disso, nosso trabalho está acima disso.”

Tite, porém, está consciente de que o assunto não será encerrado tão cedo. Até porque o jogador terá de depor enquanto a seleção ainda estiver reunida. Na próxima semana, quando a delegação estiver em São Paulo – vai estrear na Copa América dia 14, contra a Bolívia – , ele deverá ir à 6.ª delegacia da Defesa da Mulher, onde foi feita a denúncia. A data ainda não foi definida. 

Neymar também terá de prestar depoimento na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele foi intimado a depor na sexta-feira, mas estará em Porto Alegre com a seleção – joga domingo amistoso com Honduras que também servirá para medir a reação da torcida – e a audiência foi adiada. Nesta quarta-feira, será definida nova data.

FICHA TÉCNICA:

BRASIL X CATAR

Brasil: Ederson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Filipe Luís; Casemiro, Arthur e Philippe Coutinho; Richarlison, Neymar e Gabriel Jesus. Técnico: Tite.

Catar: Al Sheeb; Khoukhi, Ró-Ró, Salman e Al-Rawi; Hassan, Madibo, Hatem e Al-Haydos; Afif e Ali. Técnico: Félix Sánchez.

 Juiz: Jose Argote (Venezuela)

Local: Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Horário: 21h30.

Na TV: Globo e SporTV.

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