Mowa Press/Divulgação
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Amistoso entre Brasil e Suécia marca adeus ao lendário palco da Copa de 58

Estádio que eternizou seleção de Pelé e Garrincha será demolido após 75 anos de existência

BBC

15 de agosto de 2012 | 06h16

ESTOCOLMO - É o fim de uma era para um solo sagrado do futebol: nesta quarta-feira, 15, às 15h (horário de Brasília), um duelo amistoso entre as seleções do Brasil e da Suécia vai marcar o adeus à histórica arena de Rasunda, palco do primeiro título mundial brasileiro, na Copa de 1958. O estádio que eternizou a seleção de Pelé, Garrincha, Didi e todos os ícones de 58 será demolido depois de 75 anos de existência.

 

Com a medalha de prata que amargou no sábado na Olimpíada de Londres, a seleção de Mano Menezes desembarcou na noite de domingo na capital sueca para a despedida final ao Råsunda, que também está reunindo em solo sueco 14 jogadores da grande final de 58.

 

Na terça-feira, os campeões mundiais Pelé, Zagallo, Zito, Dino Sani, Pepe e Mazzola se reencontraram no gramado de Råsunda com oito veteranos suecos da Copa: Kurt "Kurre" Hamrin, Reino Börjesson, Sigge Parling, Bengt Gustavsson, Åke Johansson, Bengt Berndtsson, Owe Ohlsson e Agne Simonsson.

 

"Nunca acreditei muito que pudéssemos vencer o Brasil, mas a final de 58 foi uma partida memorável. Perdemos para os melhores", disse à BBC Brasil Kurt Hamrin. "Dói no coração ver Råsunda desaparecer, mas a seleção sueca precisa de um estádio mais moderno", acrescentou o ex-atacante sueco, hoje com 77 anos.

 

HOMENAGENS 

As homenagens à velha arena começaram na noite de terça-feira, num banquete de gala que marcou o encontro do Rei Pelé e de outros craques de 58 com a Rainha Silvia da Suécia, filha de mãe brasileira e que passou a infância em São Paulo.

 

Entre os 300 convidados estavam o vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e o presidente da CBF, José María Marín, além de autoridades e empresários suecos e brasileiros.

 

O amistoso entre Brasil e Suécia será a última partida entre seleções no velho estádio. Pelé dará o pontapé inicial nesse jogo carregado de simbolismo. Em cerimônia antes do início da partida, a Federação Sueca de Futebol fará uma homenagem aos jogadores da geração de 1958.

 

Naquele 29 de junho de 1958, há 54 anos, a seleção brasileira conquistava no gramado do Råsunda o primeiro de seus cinco títulos mundiais, ao derrotar a anfitriã Suécia por 5 a 2. Foram dois gols de Vavá, dois de Pelé e um de Zagallo. Pela primeira vez uma seleção sul-americana levantava a taça em solo europeu.

 

Os campeões do Brasil entravam para a história como uma das melhores seleções de todos os tempos. E o camisa 10 Pelé, então com apenas 17 anos, começava a cumprir seu destino de rei.

 

Ao voltar ao gramado de Råsunda para a celebração dos 50 anos da grande final, em 2008, Pelé afirmou que o mundo havia descoberto o Brasil em 58. "O Brasil foi descoberto aqui. Quando chegamos aqui na Suécia em 1958, ninguém conhecia o Brasil. Depois da Copa, o país entrou no mapa", disse ele na época à BBC Brasil, ao reencontrar pela primeira vez os adversários suecos desde a histórica final no estádio que o revelou ao mundo.

 

DESPEDIDA 

Durante a cerimônia de gala de terça-feira, parte do acervo de Råsunda foi doada a Pernambuco, o Estado natal de Vavá (1934-2002), em homenagem ao autor de dois dos cinco gols marcados pela seleção brasileira na final de 58.

 

"Para que a memória do estádio continue viva no Brasil, doamos um pedaço da grama de Råsunda, assim como uma das catracas originais da arena e vários outros itens do acervo histórico", disse à BBC a diretora da Câmara Brasileira de Comércio na Suécia, Elisa Sohlman, organizadora do evento.

 

Inaugurada em 1937, a velha arena de Råsunda se despede do futebol, assim como há tempos fizeram os septuagenários e octogenários craques de 1958. Será demolida em data ainda não definida. A previsão é que desapareça em janeiro de 2013, para dar lugar a prédios residenciais e comerciais.

 

"Não faria sentido reformar um estádio tão antigo, com espaço apenas para 36 mil espectadores. Por isso decidimos fazer um novo, mais amplo e moderno", disse à BBC Brasil Sune Hallmströmer, ex-diretor da Federação Sueca de Futebol e hoje responsável pela nova arena.

 

"Mas estamos planejando uma espécie de museu Råsunda no novo estádio, que deverá ser inaugurado em julho do próximo ano", ressaltou ele, acrescentando que outros bens do acervo de Råsunda também serão presenteados ao Brasil.

 

A menos de 1 km do Råsunda, o novo estádio já foi erguido. A moderna arena tem cobertura retrátil e espaço para 50 mil pessoas, num complexo que abriga ainda hotéis, restaurantes, shopping center, escritórios e centros de conferência.

 

Erguida a um custo total de 280 milhões de euros (R$ 700 milhões), a nova casa da seleção sueca vai ser inaugurada no dia 14 de novembro, com uma partida entre Suécia e Inglaterra - seleção que fora a adversária do time sueco na inauguração do estádio de Råsunda, em 1937. Mas o nome Råsunda ficará guardado na memória do futebol: a nova arena foi batizada de Friends Arena.

 

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