Amistoso marca contraste de técnicos

Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari são campeões do mundo, gostam de longas caminhadas e colecionam títulos pelos clubes que já dirigiram. Protagonistas do confronto Brasil x Portugal, sábado, na cidade do Porto, ainda não se encontraram na Europa. Devem se ver apenas amanhã, quando a equipe de Felipão chegar de Lisboa. Se há algo em comum entre ambos, existe também uma disparidade que já saltou aos olhos dos jornalistas portugueses. A começar pelo estilo brucutu de Felipão.Ele tem evitado responder algumas perguntas dos repórteres que acompanham a seleção portuguesa e às vezes é ríspido quando insistem num assunto sobre o qual não quer falar. Já no Porto, Parreira atende a jornalistas locais, da Espanha, da Itália e do Brasil com a mesma atenção. Fala sobre sua equipe, violência urbana e a guerra no Iraque com desenvoltura. Quando sobra um tempo, lê revistas e jornais em inglês e espanhol. Consegue conversar na língua francesa e adora pintura.Com paciência e calma, Parreira concede entrevistas diárias. Em Lisboa, Felipão falou da última vez à imprensa ao anunciar a lista dos convocados para o amistoso, uma semana atrás, e agora só repetirá o ato amanhã, no final da tarde. Na capital portuguesa, mantém o hábito de caminhar pelas manhãs, em companhia de seu auxiliar Flavio Teixeira, o Murtosa. Irrita-se com o registro dos fotógrafos.Parreira só dorme depois de assistir a telejornais. Não se incomoda com o espocar do flash das fotos pelo hotel da concentração da seleção e sempre tem um tempo para dar autógrafos. Para um repórter de um grande jornal de Portugal, que cobre a seleção de seu país e, por isso, pediu que não fosse publicado seu nome, Felipão tem uma dificuldade muito grande de lidar com os "adeptos" (torcedores). "É uma relação meio fria", disse.A distância pode ser notada ainda no método de trabalho, a começar pela maneira de formar a equipe. O atual técnico de Portugal é defensor do 3-5-2. Parreira quer o Brasil atuando no 4-4-2. O ex-treinador do Corinthians não tem a mania de fazer reclamações ostensivas à arbitragem durante os jogos. É comedido. Já Felipão esbraveja e não contém o nervosismo à beira do campo. No clássico de sábado, esses dois mundos vão estar à mostra.

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