Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Amistosos da seleção brasileira oferecem chance final para equipe amadurecer

Tite terá seis oportunidades ainda este ano para testar opções táticas, com direito a seis substituições por jogo; em outubro, equipe brasileira enfrenta Arábia Saudita e Argentina

Thiago Mattos, especial para o Estado / Nova York, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 12h41

Quando entrar em campo nesta sexta-feira (7) contra o time dos Estados Unidos para o primeiro de uma série de seis amistosos que devem acontecer ainda este ano, a seleção brasileira quer espantar o fantasma da eliminação prematura na Copa do Mundo da Rússia e dar início a uma nova fase de recomeço.

Nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, o técnico Tite fez um mea culpa dos erros táticos ocorrido no torneio, em especial os do setor do meio-campo. Revelou também que ainda lembra com dor da desclassificação nas quartas de final da Copa contra a Bélgica, e se mostrou ansioso para virar a página deste episódio de insucesso do Brasil.

“O sentimento é que chegue logo a hora de entrar em campo porque ainda está uma dor muito grande do término do jogo contra a Bélgica. Esse é o sentimento geral, ele é meu e é de todos os atletas”, disse o treinador. Segundo ele, o meio campo do Brasil teve “momentos de ajuste e momentos de desajuste” durante a Copa da Rússia.

Para marcar esta nova fase da seleção, que permanece com o mesmo treinador após a perda da Copa - fato inédito para o Brasil -, Tite anunciou que a partir de agora não haverá mais rodízio de capitania entre os jogadores, como costumava fazer. “Neymar passa a ser nosso capitão número um daqui para frente”, afirmou logo no início da entrevista que concedeu aos jornalistas presentes no estádio MetLife, onde a seleção fez o último treino antes da partida desta sexta, no mesmo local.

O gesto de Tite vem como um sinal de confiança no amadurecimento do atleta, que foi alvo de inúmeras críticas durante a Copa da Rússia. Neymar já havia ganhado a braçadeira durante as Olimpíadas, mas havia deixado de utilizar a faixa ao fim da competição. 

“Resolvi aceitar novamente porque aprendi muita coisa, vou aprender muito mais e essa responsabilidade vai fazer bem para mim. Naquele momento das Olimpíadas eu estava totalmente pressionado e após a Copa do Mundo também, eu fui alvo de muitas críticas e não me senti bem para falar”, relembrou Neymar durante a entrevista coletiva, ao lado de Tite. “Quando não estou bem para falar, prefiro ficar calado e minha resposta para vocês tem que ser dentro de campo.”

Além de marcar este recomeço da seleção brasileira saudando Neymar - um dos mais experientes da atual equipe - como capitão definitivo, Tite aponta que deve usar novas opções táticas no time ainda em formação, mas aos poucos. O treinador tem direio a seis substituições para testar durante os amistosos.

POUCAS NOVIDADES

Para o jogo que marca à volta da seleção brasileira aos campos, o treinador escalou como titulares nove jogadores que estiveram na Copa da Rússia; a única novidade no primeiro amistoso é Fabinho, na lateral-direita. O jogador do Liverpool compõe o setor defensivo ao lado de Thiago Silva, Filipe Luis e Marquinhos. Embora presente, Willian - titular durante a Copa - fica no banco para ceder lugar a Douglas Costa.

“A gente quer jogar para caramba no jogo (contra os EUA) e nisso uma oportunidade pode surgir. Se ela é com Andreas ou Richarlison não sei, mas todos taticamente vão estar preparados”, disse. “Hoje o Neymar sabe que o Firmino vai vir como pivô, saindo um pouquinho mais e não vai afundar tanto a jogada, vai jogar mais no pé e ser um jogador de composição no meio campo.”

Nesta sexta-feira (7), o Brasil entra em campo com cinco jogadores que eram titulares durante a Copa da Rússia (Alisson, Thiago Silva, Casemiro, Philippe Coutinho e Neymar), e cinco dos que eram reservas agora ganham uma chance como titulares (Marquinhos, Filipe Luis, Fred, Roberto Firmino e Douglas Costa).

Assim, a escalação para o jogo de hoje tem: Alisson, Fabinho, Thiago Silva, Marquinhos e Filipe Luis, na defesa; Casemiro, Fred e Philippe Coutinho, no meio de campo; Douglas Costa, Neymar e Roberto Firmino, no ataque.  

Com um adversário que vive momento um tanto inexpressivo como a seleção dos Estados Unidos, não será difícil para o time brasileiro recuperar a confiança. Sem vencer desde maio, os EUA foram desclassificados das eliminatórias da Copa e não representam tanta ameaça à seleção brasileira. 

A partida desta sexta-feira acontece às 21h05 (horário de Brasília) no estádio MetLife, em New Jersey. Em seguida, a seleção brasileira embarca para Washington para jogar contra a equipe de El Salvador na próxima terça-feira (11).

Em outubro, o Brasil fará mais dois amistosos: contra a Arábia Saudita (dia 12) e em seguida contra a Argentina (dia 16), que será o jogo que pode trazer mais emoção aos torcedores. Aí sim Tite poderá realmente testar suas novas opções e ver em que pé a seleção brasileira estará para o início do trabalho na Copa América, em 2019.

 

 

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