Bruno Cantini/Divulgaçãoi
Bruno Cantini/Divulgaçãoi

Amistosos na data Fifa tiram 18 jogadores da disputa do Brasileirão

Cenário obriga clubes a ter desfalques por até três rodadas e entre os 11 times atingidos, quem está mais prejudicado é o Corinthians

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2017 | 07h00

A rodada de amistosos internacionais autorizadas pela Fifa, que começou no dia 5 e vai até 13 de junho, desfalcará mais da metade dos times nos próximos compromissos do Campeonato Brasileiro. As seleções sul-americanas convocaram 18 jogadores de 11 clubes diferentes e podem afetar as escalações da Série A por até três rodadas.

O calendário da Fifa para 2017 estabelece que na janela de oito dias do mês de junho as seleções podem marcar amistosos com a comodidade de os clubes serem obrigados a liberar os atletas. Pelas regras da entidade, para essas partidas os jogadores devem deixar suas equipes no mínimo dois dias antes de entrar em campo pelos compromissos internacionais. 

Quem mais sentirá o impacto desses chamados é o Corinthians. O time briga pela liderança do Brasileiro e vai enfrentar o Vasco, hoje, no Rio, sem três titulares. O lateral-direito Fagner e o meia Rodriguinho estão em Melbourne para dois amistosos da seleção brasileira, contra Argentina e Austrália. Já o atacante Romero defenderá o Paraguai contra o Peru.

"A equipe vem embalada já há algum tempo e o entrosamento pode pesar quando esses jogadores forem para as suas seleções, mas quem está esperando a oportunidade tem qualidade e a confiança do treinador", disse o meia Jadson. 

Outros clubes paulistas também sentirão o impacto das perdas, porém em menor quantidade. O Palmeiras cedeu a dupla colombiana Mina e Borja para jogos na Espanha e o São Paulo perdeu o zagueiro Rodrigo Caio e o meia peruano Cueva também por causa de suas seleções.

O Santos está fora da lista de clubes prejudicados porque o meia Lucas Lima, convocado por Tite, sofreu lesão na coxa direita e ficou fora da seleção. Mas também não tem condições de jogar por seu time.

Na contramão dessas perdas, dois jogadores convocados preferiram ficar no Brasil. O meia Otero, do Atlético-MG, intermediou o pedido para a Venezuela aceitar que ficasse fora do primeiro dos dois amistosos da equipe. Assim, ele pôde defender o clube mineiro no domingo contra o Palmeiras e viajou aos Estados Unidos para enfrentar o Equador.

O Palmeiras fez procedimento parecido com outro venezuelano, Guerra. O clube solicitou à federação do país a desconvocação do jogador. Com a resposta positiva, o meia não precisará se apresentar.

A situação da Venezuela, porém, é diferente da maioria das outras seleções sul-americanas, por já não ter chances de se classificar para a Copa do Mundo de 2018. Apesar da rodada ser de amistosos, os jogadores encaram as convocações como oportunidade para se firmarem nos elencos nacionais.

A chance de mostrar serviço, por exemplo, mexeu com o Campeonato Colombiano. Assim como no Brasil, o calendário local não está alinhado com as datas da Fifa. Entre hoje e domingo serão disputadas as duas partidas das semifinais e os times participantes adotaram posturas opostas sobre o tema.

Eliminado há pouco da fase de grupos da Copa Libertadores, o Nacional de Medellín pediu à federação para não ter atletas convocados. No caso do Deportivo Cali, os dois atletas chamados insistiram com o treinador do time para que pudessem viajar à Espanha, pois pretendem se firmar nas próximas listas do elenco colombiano.

Segundo o advogado André Sica, sócio do escritório CSMV advogados e especialista em direito desportivo, os clubes só se livram da obrigação de ceder atletas nas datas Fifas quando apresentam um pedido fundamentado de liberação da convocação, que pode ou não ser aceito pela seleção. "Em caso de não aceitação, a associação pode iniciar um procedimento na Fifa contra o clube que não fez a liberação, podendo essa agremiação sofrer sanções disciplinares, incluindo até mesmo a perda dos pontos da partida vigente", explicou.

As regras da Fifa também podem punir o atleta convocado que não se apresentar. "Via de regra ele precisa atender o pedido da convocação, mas ao mesmo tempo pode pedir a liberação por motivos quaisquer. A associação também tem a opção de não aceitar esse pedido, e daí o jogador fica inviabilizado de atuar por seu respectivo clube acrescido de mais cinco dias", disse.

RETORNO

A distância dos locais dos amistosos vai influir na quantidade de jogos em que os convocados serão desfalques. Quem está na Austrália, por exemplo, não terá tempo hábil para disputar a rodada dos dias 14 e 15, pois o último amistoso é no dia 13.

Os colombianos entram em campo na Espanha no mesmo dia e dependem da logística de viagem para retornarem a tempo. Os que disputam amistosos na América do Sul, como os atletas de Paraguai e Peru, devem voltar antes. / COLABOROU DANIEL BATISTA

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