Ana Paula Oliveira vai ajudar em 'reciclagem' de auxiliar catarinense

Fernanda enfrenta críticas por ter errado em jogos do São Paulo e Cruzeiro na última semana

Felippe Scozzafave, O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - A polêmica envolvendo a auxiliar de arbitragem Fernanda Colombo Uliana continua. A bandeirinha, criticada por causa de sua atuação nos jogos entre São Paulo e CRB e no clássico mineiro entre Atlético-MG e Cruzeiro, está oficialmente afastada da arbitragem brasileira por 15 dias. Nesse período, ela não ficará suspensa do quadro de árbitros da CBF, mas troca seu trabalho à beira do gramado por um treinamento específico, conhecido como "reciclagem", sob o comando da ex-auxiliar Ana Paula Oliveira antes de voltar a figurar em partidas do Campeonato Brasileiro.

"A Fernanda vai passar por um acompanhamento, fará novo treinamento e durante todo esse tempo ela vai conversar com uma psicóloga na tentativa de ajudá-la. É um período de recuperação que ela precisa, pois errou em dois jogos seguidos. Foi o acúmulo de falhas o maior problema dela. É o que chamamos na arbitragem de semana ruim", explicou a ex-assistente, que hoje trabalha na Escola Nacional de Arbitragem, fazendo referência às falhas recentes da colega, como marcar um impedimento antes do meio de campo, prejudicando o São Paulo, e de toda a confusão com o Cruzeiro, também por um impedimento mal marcado. Fernanda, inclusive, alvo de dirigentes do clube mineiro, que aconselharam a moça a "posar nua para a revista Playboy".

Apesar de chamar atenção pela beleza, a auxiliar não terá tratamento especial e a preocupação é que ela volte a ter um bom desempenho técnico, fato que a fez trabalhar em jogos importantes do futebol brasileiro. "Vamos ver se ela está preparada para ser assistente principal, como foi no jogo do São Paulo. É mais difícil trabalhar ao lado da área técnica e do banco de reservas. Ela será instruída pelo Edmilson Corona e terá um trabalho gradual. Provavelmente volta em partidas da Série B e será reavaliada".

Ana Paula, que também conviveu com críticas parecidas na época em que bandeirava, porque da mesna forma que Fernanda ela chamava atenção por sua beleza, admite que isso acaba dificultando a carreira no mundo do futebol. "O fato de ser mulher e de ser bonita faz com que a repercussão dos erros seja maior. Mas se ela voltar a ter um desempenho técnico bom, volta também para os grandes jogos".

CORONEL MARINHO

As medidas tomadas pela Escola Nacional de Arbitragem, que trabalha em conjunto com a Comissão Nacional de Arbitragem, são parecidas com as aplicadas em São Paulo, onde quem coordena o sistema do apito no futebol é o Coronel Marcos Marinho. "Em caso de problemas, nós afastamos o árbitro e o treinamos para melhorar principalmente o reflexo. Outra forma de preservar o profissional é colocar em competições menores, isso faz com que o árbitro saia um pouco do foco e readquira seu condicionamento, é importante para não "queimar" a pessoa. Nós temos de dar o tempo que o profissional precisa para se recuperar. O dirigente precisa ter a capacidade de avaliar a condição do árbitro, que pode estar com problemas emocionais, pessoais. Eles são humanos, também enfrentam problemas", explicou Marinho.

O coronel detalhou ainda como é feita a avaliação dos árbitros. "Todos os jogos de primeira divisão tem um avaliador. O árbitro sofre uma exposição muito maior do que nas divisões menores e a nossa avaliação é mais rigorosa. Ele assiste ao jogo, faz uma análise da atuação da arbitragem e fornece informações para nós. Também costumamos trabalhar com imagens. Depois disso, nos reunimos com o árbitro, analisamos o jogo e os erros e conversamos. Se acharmos por bem afastar, nós afastamos e damos uma preservada no árbitro", comentou, destacando que apenas no Campeonato Paulista de 2014 ele teve que afastar "quatro ou cinco assistentes que estavam errando demais".

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