Análise: 'A adoção de torcida única não vai resolver os crimes'

Para especialista, restrição aos visitantes não vai trazer resultados se a mentalidade não mudar

Rodrigo Monteiro*, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2017 | 07h00

A torcida única significa a fraqueza das forças de segurança e prejudica o espetáculo. O futebol sempre foi marcado pelas festas da torcida, pelas provocações e pelo ambiente de rivalidade nos clássicos. Tirar essas características, empobrece os jogos.

Por mais que evite confrontos no estádio, é uma simplificação de um problema e não garante a solução plena. As brigas e os crimes continuam a ocorrer nos trajetos para os estádios ou em confrontos marcados por redes sociais, por exemplo.

Creio que para resolver isso, seria necessário trazer jogadores e clubes ao debate, para participarem mais de campanhas. O que explica as brigas não são as torcidas, mas sim uma questão mais profunda, de comportamento, de machismo e autoafirmação de valentia, como se fosse necessário agredir um outro homem para provar força e poder.

*Antrópologo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

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