ANÁLISE - Apostas certeiras de Felipão no Oriente

SÃO PAULO - A conquista da Copa do Mundo de 2002 vista de hoje é uma miragem. Quem poderia garantir na época que Rivaldo e Ronaldo, com joelhos avariados, jogariam o fino da bola? Quem teria coragem de ir para um Mundial sem Romário, que desfrutava de um imenso lobby até mesmo do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso? Como a seleção teria tranquilidade para treinar e se preparar para os jogos com a imprensa hospedada nos mesmos hotéis?

Luiz Antônio Prósperi, estadão.com.br

29 de junho de 2012 | 22h59

Havia ainda muitas incertezas. Desde a queda na França, em 1998, com a convulsão de Ronaldo na véspera da final do Mundial, a seleção não convencia. De 98 a 2001, passou por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão, com momentos de pouco brilho e muita escuridão, até cair no colo de Luiz Felipe Scolari. Ninguém apostava um centavo no time do Brasil.

Neste cenário e restando apenas um ano para a Copa na Coreia do Sul e Japão, levantar a taça parecia impossível. Felipão, mesmo sem tempo, teve a lucidez de entender que o mais importante era formar um grupo, uma família. Depois, organizar um forte sistema defensivo para não sofrer e jogar as fichas na recuperação de Rivaldo e Ronaldo. Uma tacada certeira.

O médico José Luiz Runco e o preparador físico Paulo Paixão deixaram os dois craques tinindo. Felipão isolou Romário. E ainda teve a sorte de cair em uma chave, na primeira fase, com adversários sem tradição como Turquia, China e Costa Rica, bons sparrings para ajustar o time e dar ritmo a Ronaldo.

Com as portas da concentração franqueadas à imprensa, a comissão técnica não sofreu pressão e sustentou sem problemas o projeto do título até o fim. O ambiente de histórico hostil virou cordial. Tudo perfeito. Com a bola rolando, Ronaldo voltou a ser o Fenômeno e Rivaldo se tornou o maestro. O penta estava garantido.

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