Análise: Disputa eleitoral no Flu pode ter pesado no pedido de anulação

Clube terá eleições em novembro e a disputa será quente

Almir Leite*, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2016 | 08h00

A justificativa do presidente do Fluminense, Peter Siemsen, para pedir a anulação do malfadado clássico com o Flamengo é plausível. O clube se baseia em fortes indícios de interferência externa na anulação do gol de Henrique, o que contraria as regras do futebol. Assim, goste-se ou não, tem o direito de buscar a reparação. Mesmo porque, se vai consegui-la ou não, é outra história. 

Além disso, como diz Siemsen, ele não pode deixar de defender os direitos do clube, dos torcedores. É seu dever, como de resto é dever de todo presidente.

Mas, no caso do dirigente maior do Tricolor carioca, será que ele foi movido apenas por direitos e deveres? 

Não se pode descartar outros fatores. Como o processo eleitoral por que passa o Fluminense. O clube terá eleições em novembro e a disputa será quente.

A oposição está bem articulada. Tem um postulante de inegável força por ter ajudado o Fluminense a montar equipes campeãs em passado recente (Celso Barros). E outros candidatos, que até semanas atrás estavam na base do “cada um por si”, se uniram para formar uma chapa forte e ter chances reais de vitória.

Siemsen fez muitas coisas boas nesses quase seis anos à frente do clube. As finanças, por exemplo, estão bem melhores do que quando ele chegou. E o Flu acaba de inaugurar um CT, embora incompleto.

Mas também sofre o desgaste advindo do tempo no cargo. E, na reta final do processo eleitoral, abrir mão da oportunidade que apareceu para questionar um jogo perdido para o maior rival poderia ser fatal para seu grupo político. Ou seja, no pedido do Flu pode estar embutido algo mais do que simplesmente direitos e deveres.

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