Raul Arboleda|AFP
Raul Arboleda|AFP

Análise: ‘Esse plano de voo é absurdo. No Brasil, o avião não decolaria’

Especialista em segurança de voo aponta erros que causaram acidente do LaMia

Jorge Barros, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2016 | 06h00

Um plano de voo em que o tempo voando é igual ao tempo de autonomia de combustível seria considerado um absurdo no Brasil. Ele não seria aceito. Não tenho conhecimento sobre as particularidades das leis bolivianas. Talvez eles permitam a complementação ou correção de informações durante o voo. Aqui, o avião não decolaria.

Seria preciso combustível para as 4h22min, tempo entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, mais 30 minutos, além do combustível para o plano de voo alternativo. Vale lembrar que a autonomia de combustível é variável. Se a altitude é maior, o voo é mais econômico. Se o avião está a baixas altitudes, o consumo de combustível é maior. 

A única similaridade entre o plano de voo do avião da LaMia e as práticas brasileiras se refere ao plano alternativo. O piloto Miguel Quiroga indicou o aeroporto de Bogotá, que é mais próximo, como plano B. Essa é uma situação comum no Brasil. Em um voo entre São Paulo e Salvador, por exemplo, o plano alternativo é Ilhéus. No caso do voo da Chapecoense, o piloto decidiu arriscar. Seria mais prudente pousar em Bogotá. 

As responsabilidades devem ser atribuídas ao autor do plano do voo, o piloto, e também ao Departamento de Avião Civil da Bolívia, que aceitou esse plano. 

*É ex-presidente do sindicato dos aeronautas, ex-tenente-coronel da FAB e consultor e especialista em segurança de voo 

 

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