Jewel Samad/AFP
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Análise: França colocou Bélgica no seu devido lugar e mostrou qual geração é boa mesmo

Ao contrário do Brasil, seleção francesa mandou belgas de volta para o segundo escalão do futebol mundial

Raphael Ramos *, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 17h03

A França mostrou para Tite e a sua dezena de auxiliares estudiosos que a Bélgica não é nenhum bicho de sete cabeças. Longe de ser espetacular, com um futebol justo e correto, venceu por 1 a 0, nesta terça-feira, avançou para a final da Copa do Mundo e colocou a tão propagada "geração belga" em seu devido lugar: o segundo escalão do futebol mundial.

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O técnico francês Didier Deschamps, que ao contrário de Tite não é um aprendiz quando o assunto é Copa do Mundo, está a apenas uma vitória de entrar no seleto grupo de campeões do mundo como jogador e treinador. Até agora, apenas Zagallo e Franz Beckenbauer alcançaram esse feito.

Campeão mundial em 1998 como jogador, Deschamps conseguiu transformar uma equipe desacreditada em favorita ao título. Se, em 2012, quando ele assumiu a seleção, todo mundo duvidava da força do time, agora a França é temida pelos adversários. Apesar de ter ótimos talentos individuais, essa França se destaca pela organização tática e o jogo coletivo, conceitos que Deschamps importou do futebol italiano, onde trabalhou como jogador e técnico na Juventus.

A seleção francesa sintetiza todas as características que um time precisa para ser campeão do mundo: talento, velocidade e uma defesa segura, que corre poucos riscos. Depois de ficar muito perto de conquistar a Eurocopa de 2016 em Paris (perdeu a final para Portugal), agora o time está mais maduro e consistente.

Pogba, talvez, seja o melhor exemplo da transformação que a França passou nos últimos anos. Se em 2014, quando tinha apenas 21 anos e foi eleito pela Fifa o melhor jogador jovem da Copa do Mundo do Brasil, o meia era somente um garoto promissor, agora o grandalhão de 1,91 metro já é uma realidade reconhecida internacionalmente pelo seu talento.

Há outro exemplo. Aos 19 anos, Mbappé não é apenas o futuro da França. Já é o presente. Assim como os outros garotos desta seleção: Dembélé, Tolisso, Umtiti, Pavard e Hernandez. Ou seja, geração boa mesmo é a francesa, e não belga. Muito menos a brasileira.

*CHEFE DE REPORTAGEM DE ESPORTES DO ‘ESTADÃO’

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