Divulgação/ESPN
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ANÁLISE: ‘Seleção do Vadão é uma desorganização gigantesca em campo’

Parece um “catadão” em termos táticos, embora tenha jogadoras de qualidade

Juliana Cabral, ex-jogadora e comentarista dos canais Espn, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2019 | 04h30

O cenário do futebol feminino de clubes não poderia ser melhor dentro do Brasil. O momento é muito promissor. Mas o da seleção brasileira é preocupante. Preocupa não pelos resultados. Se tivesse conteúdo em todos os momentos dos jogos, não teria problema nenhum perder as partidas. Mas, sinceramente, não consigo enxergar nada nesta atual seleção do Brasil. 

Você vê seleções com pouco tempo de história, mas que já estão melhores do que o Brasil. Consigo ver a seleção com muito talento, mas, coletivamente, eu não vejo nada no jogo do Brasil. Vejo apenas esforço físico. A seleção japonesa sem a bola, taticamente, é impressionante, e a seleção brasileira é uma desorganização gigantesca. 

Na minha visão, faltam coisas básicas ao Brasil no aspecto tático. Joga de maneira muito espaçada, muito distante entre os setores, um jeito de jogar que não dá pra acreditar.

Desde que o futebol feminino existe, sempre enfrentamos dificuldades. Sempre foi assim, mas apesar disso ganhamos duas medalhas de prata olímpicas e um vice-campeonato mundial. 

O maior investimento da seleção feminina aconteceu na era Vadão. Já na primeira passagem dele houve a criação da seleção permanente, o que nunca ocorrera antes. E nada justifica este retorno do Vadão. Com ele, a seleção disputou todos os torneios possíveis e imagináveis. E hoje temos vários clubes com categorias de base, tem o Campeonato Paulista da base. 

Não dá para concordar com o Vadão quando ele fala que não houve como treinar a seleção. Todas as outras seleções têm dificuldades, a da Inglaterra começou ontem no futebol, mas já está tendo resultados. Para mim falta trabalho. 

A Emily Lima teve uma série de derrotas e foi demitida, mas a seleção dela tinha conteúdo, sabia o que fazer em todos os momentos, com ideias de como jogar. As meninas da seleção têm condições de se superar e tenho certeza de que farão de tudo para isso no Mundial, mas a seleção do Vadão hoje parece um “catadão” em termos táticos, embora tenha jogadoras de qualidade. Também não concordo que o Brasil tenha jogado bem nestes últimos três jogos, como disse o Vadão. E não teria motivo para ele ser o técnico após a saída da Emily.

Marco Aurélio Cunha não tem história no futebol feminino, não vejo motivo para estar neste cargo na CBF. 

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