Fabio Morru/EFE
Fabio Morru/EFE

ANÁLISE: Um grande problema é achar que no estádio pode racismo

Após torcida defender racismo contra Lukaku, especialista analisa caso e cobra punição da Fifa

Marcelo Medeiros Carvalho*, Especial para o Estado

04 de setembro de 2019 | 18h46

Temos um grande problema no futebol brasileiro e mundial que é acreditar que no estádio pode tudo. Durante muitos anos isso aconteceu, e a torcida da Inter de Milão pensa assim. No estádio era permitido ter racismo, machismo e todas as outras formas de violência. Com o tempo, estamos percebendo que isso está mudando, e há pessoas contrárias a essas mudanças. Acho que o principal fator é que as pessoas estão ficando mais atentas, estão se conscientizando. Hoje, os torcedores que cometem esses atos são minoria, e a maioria está denunciando os casos, assim como a imprensa, que vem noticiando e cobrando punições.

A Fifa deu um passo importante, que é a determinação de punição severa para quem fizer os atos de racismo (desde julho deste ano). O que precisamos agora é que a Fifa intervenha nesse caso da Federação Italiana e tenha uma punição severa, senão não vai adiantar. Ou a Fifa faz valer o que determina ou vamos continuar tendo atos de racismo. 

Os clubes também precisam fazer campanhas efetivas de combate ao preconceitos. Os brasileiros, no fim de semana, publicaram mensagens contra homofobia nas redes sociais, mas isso tem que continuar acontecendo sempre. E o clube precisa punir os agressores, porque não adianta fazer nota de repúdio se não houver punição. No Brasil, tirando o Bahia que faz campanhas contra intolerâncias, os clubes se manifestam apenas quando acontece algum caso.

Já os jogadores estão chegando a um ponto que vão precisar se posicionar, porque o Lukaku não comemora o gol, depois vai para sua rede social e lamenta o que aconteceu. Ou os jogadores se unem ou vai ser muito mais complicado e vão continuar passando por essas situações. Podemos exigir posicionamento dos jogadores, mas precisamos ampará-los. Não podemos crucificar um jogador que pede punição, por exemplo. Se não é amparado, acaba silenciando os outros. Precisamos dar sustentação.

*IDEALIZADOR E DIRETOR EXECUTIVO DO OBSERVATÓRIO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO FUTEBOL.

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