Ancelotti reclama da fama de ser frouxo com os jogadores

Técnico do Real Madrid diz que trata o elenco com respeito

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 22h12

 O técnico Carlo Ancelotti, do Real Madrid, deixou claro em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport que não tem pressa em um dia comandar a seleção de seu país. "Antes de dirigir a Itália preciso perder a vontade de dar treinos todos os dias como faço nos clubes. Mas como a Itália chega à final da Copa do Mundo a cada 12 anos e é campeã a cada 24, acho que 2030 será a ocasião justa", disse com bom humor. Ele terá 71 anos nesse Mundial.

Ancelotti mostrou-se muito magoado com as críticas que vem recebendo na Espanha de que é muito "frouxo" no contato com os jogadores, e que isso seria uma das causas do momento ruim vivido pelo time. "Não acho justo que digam que não tenho pulso no trato com os jogadores. O meu estilo é ter uma boa relação com o elenco que dirijo, respeitando igualmente todos os atletas, e isso não é ser frouxo.Brinco e dou risada com eles, mas sei o momento de ser sério. Para mim, ter uma boa relação com o grupo de jogadores é mais importante do que se dar com o presidente do clube. Se você tem problemas com os jogadores, está morto."

Ele cita a recuperação de Pepe como um exemplo de que seu jeito de lidar com os jogadores dá bons resultados, porque quando chegou ao Real Madrid o zagueiro português havia pedido para ir embora por achar que era perseguido na Espanha e carregava a fama injusta de ser violento e desleal. "Conversei com Pepe, disse que o considerava um ótimo jogador e que não abria mão de mantê-lo no elenco. E hoje ele está feliz no clube e jogando bem."

Na hora de citar os jogadores com os quais mais teve prazer em trabalhar, Ancelotti não hesitou: "O que mais me divertia com as coisas que fazia nos treinamentos era Zidane (que foi seu jogador na Juventus), e o que me dá mais alegrias em campo é Cristiano Ronaldo, porque faz gol quase sempre."

Ex-jogador de sucesso de Roma e Milan, Ancelotti disputou 26 partidas e fez um gol com a camisa da seleção italiana. Como treinador, sua carreira deslanchou depois de ter levado o Milan à conquista da Liga dos Campeões em 2003. "Antes eu tinha sido vice-campeão italiano pelo Parma e pela Juventus, não via a hora de ganhar um troféu. E ganhar logo a Liga dos Campeões foi muito importante para mim."

Depois daquela conquista , ele ganhou mais duas vezes o título europeu (em 2007 pelo Milan outra vez, e em 2014 pelo Real Madrid). 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.