Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Andorra pode rever residência de Ricardo Teixeira

Governo do principado vai reexaminar a concessão de moradia ao cartola, após as revelações do 'Estado'

JAMIL CHADE, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2013 | 07h30

GENEBRA - As revelações do Estado de que parte do dinheiro de amistosos da seleção chegava em Andorra e que Ricardo Teixeira tem residência no país abrem uma crise política e obrigam o governo do principado a declarar que está reexaminando a permanência do cartola. Andorra, porém, jogou parte da responsabilidade ao Brasil, dizendo que foi a Polícia Federal quem declarou em 2012 que Teixeira não teria nenhum antecedente e que não está colaborando com a Justiça do principado, o que abriu as portas para que fosse recebido no paraíso fiscal.

A crise ainda se alastrou ao Barcelona. A diretoria do clube convocou reuniões de emergência para exigir que Sandro Rosell dê explicações sobre seu envolvimento com os pagamentos à CBF e a ajuda que prestou a Teixeira em Andorra. Já o Congresso brasileiro começa a se mobilizar para aprovar uma audiência pública para debater a corrupção na CBF. Desde a última semana, o Estado vem revelando um esquema de desvio de dinheiro dos amistosos da seleção e contratos envolvendo Teixeira e Rosell, parte deles em Andorra. Na quinta-feira, o Estado informou com exclusividade que Teixeira era residente de Andorra.

O ministro do Interior, Xavier Espot Zamora, encarregado do assunto, foi obrigado a suspender parcialmente suas férias para tratar da crise. Na quinta-feira, a decisão do governo foi a de emitir uma nota confirmando a revelação do Estado a respeito dos benefícios do ex-presidente da CBF no paraíso fiscal. Mas Andorra alertou que a concessão da residência ao brasileiro no principado poderá ser retirada no final deste ano. Segundo o governo de Andorra, Teixeira pediu a residência em setembro de 2012 e apresentou naquele momento documentos da Polícia Federal e do Ministério da Justiça que mostravam que tinha ficha limpa. No dia 14 de novembro de 2012, a residência lhe foi garantida por um ano.

Mas, segundo o Ministério do Interior de Andorra, tudo começou a mudar quando, em maio deste ano, a polícia local recebeu indicações de que Teixeira não teria uma ficha limpa. As suspeitas eram de "ações fraudulentas". Em julho, as autoridades solicitaram a cooperação da Polícia Federal brasileira para obter uma nova declaração de antecedentes. Mas, até agora, alegam que ainda não receberam nenhum tipo de documentação do Brasil.

NA ESPANHA

A crise não se limitou a Andorra. No Barcelona, as revelações sobre o envolvimento de Rosell com Teixeira caíram como uma bomba dentro do clube. O Estado revelou que o desvio do dinheiro dos amistosos da seleção brasileira ia justamente para contas de Rosell em Andorra. O banco usado era o Andbank, que é controlado por um de seus diretores dentro do Barcelona, Ramon Cierco. O banco foi o mesmo que recebeu o depósito de 4,9 milhões de Teixeira para abrir suas portas para a residência em Andorra.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.