Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Andrés admite atraso de dois meses com a Caixa e revela acordo assinado com a Odebrecht

Presidente do Corinthians se mostra indignado com postura do banco e promete resolver dívidas do estádio

João Prata, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2019 | 12h43


O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira para explicar as dívidas do clube para o pagamento da arena em Itaquera. O mandatário se mostrou indignado com a atitude da Caixa Econômica Federal, admitiu que o clube deve dois meses de parcelas do financiamento e aproveitou para mostrar a assinatura de um contrato com a Odebrecht formalizando o acordo de valores que até então estavam em aberto.

"Pelo amor de Deus, só devemos para a Caixa. O Corinthians só deve para a Caixa", enfatizou em referência ao único credor onde não há um acordo.

A dívida com a Odebrecht ainda não foi totalmente paga, mas está acertada, segundo as duas partes. A construtora emitiu comunicado ontem em que diz o seguinte: "A Odebrecht confirma que assinou um memorando de entendimentos com o Sport Club Corinthians Paulista que define os termos para solucionar as dívidas do projeto Arena...”, informou. “Também foi assinado um termo entre a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e o Sport Club Corinthians Paulista, que resulta em quitação mútua entre as partes para a construção da Arena."

O Corinthians e a construtora, no entanto, não dão mais detalhes sobre esse acordo. Segundo o Estado apurou, a Odebrecht receberá somente o valor total arrecadado com os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento). Esses CIDs, que são papéis emitidos pela Prefeitura de São Paulo, tinham valor inicial de R$ 420 milhões. Corinthians e Odebrecht chegaram a discutir valores a mais que deveriam ser pagos. Mas ficou por isso.

Na quinta-feira o clube emitiu nota para informar que recebeu notificação extrajudicial da Caixa de uma execução referente ao valor total da dívida do financiamento da Arena Corinthians. Andrés informou que pelas contas do clube a dívida com a Caixa é de R$ 470 milhões. O banco calcula que ainda faltam ser pagos R$ 520 milhões. "O torcedor corintiano pode ficar tranquilo. não vão tomar nada, não estamos deixando de pagar."

O mandatário não deu detalhes sobre o que pode acontecer caso o banco execute o clube. "Fomos pegos de surpresa e estamos indignados como o que aconteceu. Vamos responder a notificação na semana que vem. Juridicamente vocês vão saber o que será respondido."

O presidente voltou a enfatizar que havia verbalizado um novo acordo para pagamento do estádio. Nele, o Corinthians pagaria parcelas de R$ 5,7 milhões durante oito meses do ano, de março a outubro, e nos quatro outros, por ter menos jogos, desembolsaria R$ 2,5 milhões.

"Estávamos cumprindo isso. Se esse acordo estiver sendo considerado, estamos devendo dois meses (referente ao período da Copa América). Se não, estamos devendo desde março. O Corinthians deve e vai pagar. Mas tem que chamar a Caixa. Vamos responder juridicamente", comentou.

O problema é que o acordo verbal havia sido feito com a gestão anterior da Caixa. A nova diretoria assumiu recentemente e, pela notificação, mudou a postura. Andrés prefere acreditar que não seja uma perseguição política, já que todo o acordo costurado havia sido feito no período em que o PT estava no poder.

"Não quero acreditar nisso. Estamos falando com a Caixa Econômica Federal, uma instituição séria. O Corinthians nunca deixou de conversar. Desde que assumi, pagamos quase R$ 80 milhões. No total já foi pago R$ 170 milhões. Estamos pagando e cumprindo", afirmou.

O presidente corintiano também comentou sobre o déficit anual do clube. Ele confirmou que dívida em 2019 supera os R$ 100 milhões. No entanto, não soube dizer qual seria o valor exato. Andrés pareceu despreocupado com o alto valor porque a maior parte dos direitos de televisão, cerca de 80% do valor, entram nos meses finais deste ano.

"Ano passado vendemos jogador, e a manchete era ‘Andrés faz desmanche’. Agora não vendemos e falam que o déficit está grande. Tem time milionário que vendeu 12 ou 13 jogadores nos últimos meses. Seguramos alguns, não vendemos, e falta dinheiro na contabilidade. Quando contrata, o contrato do jogador é de 30 milhões e você coloca no balanço 30 milhões, mas vai pagando mês a mês", disse.

A Caixa emprestou R$ 400 milhões para a construção do estádio. A assessoria de imprensa do clube confirmou que R$ 170 milhões já foram pagos. Andrés informou que só na gestão dele, iniciada em 2018, pagou R$ 80 milhões. Mas por causa dos juros e correções, essa dívida não diminui. Além disso, entre o que o Corinthians diz que falta pagar,e a Caixa diz que precisa receber há uma diferença de R$ 50 milhões.

 

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