Andrés e Corinthians são Inocentados em julgamento no STJD

Já o ex-presidente do clube, Alberto Dualib e o ex-vice Nesi Curi, levam suspensão de 3 anos

Bruno Lousada, Estadão

12 de novembro de 2007 | 22h51

O Corinthians foi tema principal de um longo julgamento na noite desta segunda-feira no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio. Depois de mais de três horas de sessão no tribunal, o clube e seu atual presidente, Andrés Sanchez, acabaram absolvidos. Mas dois ex-dirigentes corintianos, Alberto Dualib e Nesi Cury, foram punidos com três anos de afastamento do futebol.   O STJD julgou o Corinthians e seus dirigentes por causa das irregularidades na parceria com a MSI. A investigação do tribunal começou depois que escutas telefônicas flagraram o ex-presidente corintiano Alberto Dualib dizendo que o título brasileiro de 2005, conquistado pelo clube, tinha sido "roubado".   Os procuradores do tribunal não encontraram nenhuma irregularidade na conquista corintiana em 2005. Mas os dirigentes foram indiciados por infração ao artigo 238 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou órgão da justiça desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para fazê-lo contra disposição expressa de norma desportiva) e o clube foi indiciado no artigo 233 (Deixar de cumprir obrigação legal por fato ligado ao desporto, observada a competência da justiça desportiva prevista em lei).   Atual presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, poderia pegar até quatro anos de suspensão, mas foi absolvido pelo STJD. Mesma sorte teve o clube, que corria risco de ser multado em até R$ 10 mil e saiu sem qualquer pena.   "Muitos não acreditam na justiça desse país, mas eu acredito, porque ela foi feita hoje. Espero que esse acontecido seja uma injeção de ânimo para o time sair dessa situação delicada que estamos no Campeonato Brasileiro", comemorou Andrés Sanchez, após o julgamento no STJD, em que compareceu para se defender.   "Eu expludo (sic) o futebol brasileiro (se for condenado). Falarei muitas coisas. Isso é uma babaquice, uma perda de tempo", atacou. Em seu depoimento, Sanches confirmou que viajou em agosto de 2004 com a diretoria do Corinthians para Londres, onde houve encontro com o magnata Boris Berezovski, apontado pela Polícia Federal como principal investidor por trás da MSI. "Eu não desconfiava da origem do dinheiro. Nunca tinha ouvido falar no Boris Berezovski. Só quando voltei para o Brasil soube quem ele era e, além disso, que já havia um pré-contrato assinado com a MSI", declarou, negando qualquer tipo de conversa com o magnata. "Não sei falar inglês." Sanches admitiu que, depois da viagem, ganhou o cargo de vice-presidente de Futebol do clube, mas ressaltou que isso é mera coincidência e que nunca soube de nada.   "A diretoria me dizia que ele [Boris] só era amigo do Kia Joorabchian [executivo da MSI] e não participava da parceria." Consta na denúncia da Procuradoria que o atual presidente tinha relação de amizade com Kia. O advogado do Corinthians, João Zanforlin, lembrou que o Ministério Público Estadual (MPE) não denunciou Sanches por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, ao contrário do que fez com Dualib e outros dirigentes.   Já os dois ex-dirigentes corintianos, Dualib e Nesi Cury, que comandaram o clube por 14 anos e se afastaram recentemente de seus cargos, envolvidos em várias denúncias de irregularidades, acabaram punidos pelo STJD. Ambos receberam três anos de suspensão, mas o advogado deles, José Tolosa, já avisou que pretende recorrer - eles não compareceram ao julgamento.   "Não posso ser mais realista do que os reis da justiça federal", afirmou o presidente da 1.ª comissão disciplinar, Wanderley Rebello, para justificar seu voto. Ele absolveu o presidente do Corinthians.   *Atualizado às 23h39

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