Alex Silva/ Estadão
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Andrés diz que auditoria na Arena traz lisura para o Corinthians

Ex-dirigente crê em “portas abertas” para negócios após divulgação de documento que expõe a relação com a Odebrecht e mostra valor do estádio

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2017 | 07h01

Conselheiros do Corinthians tiveram acesso a uma auditoria contratada pelo próprio clube para averiguar tudo o que foi feito ou deixou de ser entregue na Arena Corinthians desde sua inauguração. O trabalho, qualificado de independente, foi assinado pela Claudio Cunha Engenharia e Construções. Nele, alguns pontos de divergência entre clube e Odebrecht, construtora responsável pela obra em Itaquera, começam a ser esclarecidos. Uma das constatações oficiais é que a arena custou R$ 1,8 bilhão ao Corinthians – se os CIDs da prefeitura forem vendidos, o valor cai para R$ 1,3 milhão. Andrés Sanchez, maior articulador do estádio, disse que o levantamento mostra a lisura do negócio.

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“Fiquei satisfeito, porque mostra a lisura que tudo isso foi feito”, disse o ex-presidente do clube, em entrevista ao Estado. “Isso abre as portas para acordos que o Corinthians precisa fazer para resolver os problemas do estádio”, completou.

A expectativa é que o clube consiga atrair empresas para investir no local, agora que existe um documento oficializando valores e a situação da arena. Segundo a auditoria, o Corinthians tem R$ 232 milhões de crédito com a Odebrecht. Seriam R$ 150 milhões de obras que a construtora não fez e mais multas no valor de R$ 22 milhões pelo atraso na entrega do estádio e mais R$ 60 milhões por reparos feitos no estádio.

Em alguns setores em que a obra não foi finalizada, o Corinthians tem dificuldade para realizar eventos e a auditoria aponta que o prejuízo chegue aos R$ 100 milhões. A assessoria de imprensa da construtora contesta a informação da auditoria.

“A Odebrecht informa que não conhece o resultado desta e de qualquer outra auditoria encomendada pelo clube, já que não recebeu documento a respeito. A empresa considera que é incorreto falar em obras não executadas como se fosse um descumprimento de contrato. Na verdade, o que deixou de ser feito na Arena foi fruto de decisão do clube e do arquiteto contratado. O contrato previa um valor máximo de obras de R$ 985 milhões. Ao aprovar modificações solicitadas pelo arquiteto – que elevaram em cerca de R$ 40 milhões o valor de alguns itens – o clube, de comum acordo com a empresa, decidiu não realizar outros itens, no mesmo valor, para não descumprir o limite de gastos de R$ 985 milhões previsto no contrato”, disse, em nota enviada ao Estado.

O presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, esteve na reunião do Conselho em que os dados foram divulgados, segunda, mas não se manifestou. Nos bastidores, dirigentes acreditam que a auditoria é uma vitória do clube, que passa a ter uma terceira voz, independente, na discussão com a construtora.

Corinthians e Odebrecht já conversam sobre a divergência de valores, obras que não foram finalizadas e dívidas que um lado tem com o outro. Ambos garantem que a auditoria não mudará o rumo das conversas, que já ocorrem há meses, mas os corintianos admitem que, se a disputa tiver de ir para a Justiça, é uma carta na manga para mostrar que tem razão na história.

CIDs. Os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs) devem ser algo que fará o clube diminuir a dívida. Se vender todos, arrecada R$ 454 milhões. CIDs são títulos comprados por empresas para abater o valor em impostos municipais. Os papéis foram emitidos pela prefeitura como contrapartida de benefícios para a economia da Zona Leste e pela abertura da Copa do Mundo de 2014.

Mas o clube tem encontrado dificuldades para vender os papéis. A auditoria fez diversas sugestões, entre elas, que o Corinthians negocie com a Odebrecht a cessão dos CDIs para abater parte da dívida, que está na casa de R$ 976 milhões.

O Corinthians negocia com a Caixa o refinanciamento da arena. Hoje, todo o valor arrecadado no estádio vai para o fundo criado para pagar a obra. A ideia da diretoria é conseguir ficar com parte do dinheiro levantado, seja com renda de bilheteria de jogos ou eventos, para a utilização em outros setores, como contratação de jogadores e investimentos no clube social.

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