Rafael Arbex / ESTADAO
Rafael Arbex / ESTADAO

Andrés Sanchez mantém poder político dentro do Corinthians

Deputado federal monitora trabalho de novos diretores

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 17h01

Mesmo em Brasília, onde passa pelo menos três dias por semana para exercer o seu mandato de deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, Andrés Sanches continua como homem forte do futebol do Corinthians. À frente do grupo Renovação e Transparência desde 2007, Andrés viu o seu candidato, Roberto de Andrade, derrotar Antônio Roque Citadini na eleição para presidente no último dia 7, confirmando a sua força no clube. Ao final do mandato de Andrade, Andrés completará 11 anos como principal liderança política do Parque São Jorge desde a saída de Alberto Dualib.

Prova do seu poder no Alvinegro foi a criação de um cargo na diretoria especialmente para ele. Andrés é o novo superintendente de futebol do clube, e terá a função, segundo suas próprias palavras, de “supervisionar” o trabalho de Sergio Luiz Janikian (diretor de Futebol) e Eduardo Ferreira (diretor adjunto de Futebol).


“O Corinthians tem de renovar, ter dirigentes novos, e o presidente achou que, com a minha experiência, eu poderia supervisionar esses dois diretores”, disse Andrés ao Estado.

Para nomear os seus diretores, Andrade consultou antes Andrés. E alguns nomes do chamado “núcleo duro” do Parque São Jorge são diretamente ligados ao deputado federal, a começar por Janikian. “Sou amigo do Andrés há muito tempo. Ajudei na campanha dele para presidente do Corinthians e depois para deputado federal. Ele é um cara polêmico, mas muito autêntico”, disse Janikian.

O novo diretor nunca trabalhou com futebol. Empresário, atua no ramo de material escolar. A sua escolha para o segundo cargo mais importante do clube depois do presidente foi bastante criticada pela oposição. Janikian se defende: “Eu entendo de futebol. Toda a minha vida eu sempre assisti a jogos. Gerir o futebol do Corinthians é como administrar uma empresa. Se existisse faculdade para aprender futebol eu me matricularia. Como não tem, faço aula com o Andrés.”

Por enquanto, as “aulas” para Janikian e Ferreira têm sido apenas à distância, por telefone. “Desde o dia em que eles foram indicados eu não os vi pessoalmente, mas por telefone a gente tem se falado sobre os problemas do futebol no Corinthians”, conta Andrés.

Ferreira é ex-ouvidor do Parque São Jorge e ganhou o apelido de “Edu da Gaviões”. Ligado à principal organizada do clube, já foi até assessor de imprensa da uniformizada. A escolha causou polêmica no clube, e Andrade ainda tenta afastar a imagem do seu novo diretor da facção.

“Ele não é o Edu da Gaviões, é o Eduardo Ferreira. O fato de ele ter sido da Gaviões da Fiel é o que menos importa, o que vale é daqui para a ente”, minimizou Andrade.


Outro nome bastante ligado a Andrés é o 1º vice-presidente, André Luiz Oliveira. Chamado no clube de André Negão, é ex-bicheiro e sobreviveu a uma tentativa de assalto em que levou sete tiros.

Negão é pai do zagueiro André Vinícius, que, sem espaço no Corinthians, acabou emprestado ao União da Madeira, clube da Segunda Divisão de Portugal. Seu maior sonho é ser o primeiro presidente negro do clube, e hoje ele já surge como principal candidato à sucessão de Andrade. No Parque São Jorge, Negão costuma frequentar o Bar da Torre e, graças ao bom trânsito que possui com os sócios, nas eleições é tido como um bom “puxador de votos”.

Durante o mandato de presidente de Andrés ele foi diretor administrativo e ganhou da oposição o apelido de “primeiro-ministro” por causa do seu poder de influência nas decisões da diretoria. Antes, já havia sido diretor das categorias de base e de futebol amador.

O novo comando do Corinthians, no entanto, não é formado apenas por gente do grupo de Andrés. A diretoria de Finanças está nas mãos de Emerson Piovezan. Ele entrou no lugar de Raul Corrêa da Silva, que ficou sete anos no cargo. Piovezan disputou a eleição contra Andrade como vice-presidente na chapa de Citadini e tem experiência no função. Foi vice-presidente de Finanças na gestão de Alberto Dualib e deixou a diretoria após romper com o aliado depois do surgimento de uma série de denúncias contra o ex-presidente.

“Emerson é um cara muito bem conceituado. Não é porque estava na oposição e foi candidato na outra chapa que ele vai deixar de ajudar o clube”, explica Andrés.

O principal desafio do novo diretor será equilibrar as finanças do clube. O Corinthians tem atualmente R$ 313 milhões de dívidas, sem contar os empréstimos feitos durante a obra do Itaquerão, que custou mais de R$ 1 bilhão.

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolCorinthians

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.