Williams Aguiar/Sport
Williams Aguiar/Sport

Andrés Sanchez marca reunião para definir o futuro de Juninho no Corinthians

Presidente do clube vai se reuniu com representantes da base para tratar sobre a possibilidade de contratar atacante que agrediu a namorada

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2018 | 05h00

Uma simples contratação para o time sub-20 se tornou uma grande polêmica no Corinthians. O atacante Juninho, do Sport, estava próximo de um acerto quando torcedores iniciaram uma campanha contra sua chegada. Motivo: ele agrediu a namorada no ano passado. Diante da confusão, o clube o ofereceu um contrato de risco, mas ainda estuda se vale realmente o investimento.

Apesar da reação negativa de boa parte da torcida, os dirigentes da base do Corinthians não desistiram do negócio. Nesta quinta-feira, eles terão uma reunião com o presidente Andrés Sanchez para definir se contratam ou não o garoto. Eles estão mais inclinados a acertar com o atleta. 

O Estado tentou contato com os familiares do jogador, mas eles não quiseram dar entrevistas. A reportagem apurou que o garoto ficou bastante abalado com a repercussão negativa de sua possível transferência. “Embora ele tenha passado por isso quando foi para o Ceará, no Corinthians criou-se uma dimensão muito maior”, disse pessoa ligada ao atleta. 

O Sport divulgou na noite de terça-feira que acertou o empréstimo do jogador, de 19 anos, até o fim do ano que vem para o Corinthians. Nas redes sociais, torcedores protestaram contra a contratação de Juninho, que foi indiciado por agressão, ameaça e injúria contra sua ex-namorada em novembro do ano passado. 

O contrato de risco é uma forma de se proteger contra eventuais problemas criados pelo jogador. Caso Juninho faça algo que não seja considerado correto pelo clube, o contrato poderá ser rescindido sem pagamento de multa. A revolta da torcida corintiana foi potencializada pelo fato de o clube ter divulgado na terça-feira uma mensagem apoiando a Lei Maria da Penha, que completou 12 anos. Poucas horas depois, surgiu a informação do interesse na contratação do atacante. 

Na época da agressão, a namorada do atleta, que pediu para não ter o nome divulgado, contou que levou tapas e soco no rosto e puxão no cabelo. Juninho ainda chegou a pegar uma faca e disse que iria matá-la.  Após a polêmica, o atleta foi emprestado ao Ceará e fez apenas cinco jogos. Além da agressão, ele também é acusado de atos de indisciplina, como atraso em treinamentos e se reapresentar fora de forma.

Edmar Ribeiro da Costa Júnior, o Juninho, nasceu na cidade de Amarante, no interior do Piauí e ainda criança foi para Teresina, onde iniciou a carreira no Flamengo-PI. Depois, se transferiu para o Sport. 

Análise: Fred Lúcio, antropólogo da ESPM

O caso do Juninho é algo típico do que acontece no País. Isso tem mais a ver com a cultura brasileira do que com a origem dele. Temos o hábito de pegar uma mão de obra, em qualquer área, projetar essa pessoa e não dar o menor preparo. Existe uma preocupação técnica muito forte, mas esquecemos do aspecto psicológico. Isso acontece na engenharia, no curso de administração, no curso de garçom e também no futebol. Atribuo o comportamento do jogador mais à falta de preparo do que características do sujeito.

Falamos de futebol, mas, nesse ponto, o esporte não tem nada de diferente em relação a uma empresa ou um negócio qualquer. A diferença é que a repercussão de um comportamento como a do garoto é muito maior por ser o futebol.

Pelo que se fala, o jogador teve outros problemas além do relacionamento com a namorada. Isso reforça a tese de que ele tem dificuldades de relacionamento com pessoas. Ele não obedece hierarquias, o que é algo previsível para um menino de 18, 19 anos. O fato de vir de uma família humilde não é motivo para fazer essas coisas, mas potencializa a falta de preparo. 

Em relação aos protestos dos torcedores em redes sociais, é questão bem conhecida, chamada comportamento de massa. A pessoa se deixa levar pela opinião da maioria e acaba agindo de forma um pouco diferente do que faria caso não estivesse em grupo. Por exemplo, aquele caso da briga de torcidas de São Paulo e Palmeiras, no Pacaembu (em 1995), quando um são-paulino morreu. Mostraram que o menino que matou o outro era um sujeito pacato, tranquilo e que ninguém imaginava que faria aquilo. Assim como a torcedora que chamou o Aranha de macaco. Ela não é racista, vide as suas redes sociais e o que os amigos diziam dela, mas naquele momento foi. É comum essa ação das pessoas. 

 

 

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