Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Andrés Sanchez quer se afastar do poder no Corinthians: 'Temos novos líderes'

Ex-presidente revela ter indicado Cristóvão Borges, fala de Oswaldo e vê o Inter melhor do que o Palmeiras

Entrevista com

Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians

Daniel Batista, Robson Morelli, Vitor Marques, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2016 | 06h00

O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez decidiu se afastar da política do clube. Em entrevista ao Estado, o responsável pela Arena Corinthians assegurou que não pensa em ser candidato nas próximas eleições do clube, em dezembro do ano que vem, negou que tenha qualquer poder na atual diretoria, admitiu ter se afastado do presidente Roberto de Andrade. O dirigente ainda admite ter indicado Cristóvão Borges e diz que vê o time do Inter melhor do que o do Palmeiras. Andrés também falou sobre toda a polêmica envolvendo a Arena Corinthians. Leia mais aqui. 

Quanto você realmente manda no Corinthians?

Me sinto ex-presidente, mas a maioria me chama de presidente. Vejo isso como um carinho e respeito, mas na verdade não mando nem na minha casa. Vejo muita gente falando que eu que decido as coisas, que eu contratei técnico A ou B, mas eu não mando nada lá há uns cinco anos. Dou minha opinião só quando perguntam.

Você indicou o Cristóvão Borges, não?

O presidente queria outros treinadores, não conseguiu, aí ele marcou uma reunião e pediu nomes. Eu falei do Cristóvão como uma possibilidade e chegou-se a conclusão que o melhor nome seria o dele. Mas eu nunca nem tinha visto o Cristóvão pessoalmente. Falaram até que eu jantei com ele, o que é mentira. Há 20 dias, o presidente me disse que pensava em contratar o Oswaldo. Falei que se ele estivesse pensando, não tinha nem o que discutir. O que fiquei chateado é que ele contratou o treinador sem falar com o diretor de futebol (Eduardo Ferreira). Isso que eu achei que não foi legal e por causa deste fato, o Edu pediu demissão.

O que você pensa do Oswaldo de Oliveira?

Ele tem uma história bonita no Corinthians. É um cara formidável, que vem de resultados bons e ruins e, como todo treinador, se ganhar, ele vai ser bom e se perder, é ruim. Futebol é resultado. O Tite chegou no Corinthians, foi massacrado, quase fui malhado por não demitir ele. Aí ele foi campeão e virou o melhor técnico do mundo.

Você aprovou a contratação do Oswaldo?

Eu não tenho nada contra. Eu não indiquei e nem vetei. Colocam coisas na minha conta, que eu não tenho nada com isso.

O que fez com que você se afastasse do presidente Roberto de Andrade e resolvesse extingir a chapa Renovação e Transparência, da qual vocês faziam parte?

Não teve um fato. Não foi a chegada do Oswaldo, como disseram. Estamos há dez anos no poder e acho que temos novos líderes no clube, que precisam ter oportunidade de crescer e tentar ajudar o Corinthians. Eu não rompi com o Roberto e nem com ninguém, só tenho o direito de não dar mais opinião. É uma coisa pessoal, não briguei com ninguém. Falaram também que eu indiquei o Edu e isso é outra mentira. Eu só indiquei o presidente do conselho (Guilherme Strenger), o Roberto para ser presidente e o Emerson Piovezan (diretor financeiro do clube). O resto, não participei de nada. Falam que eu faço e desfaço no clube. Eu que fiz tudo. Se aparecer uma mulher grávida, vão falar que o filho é meu também.

Não pretende ser candidato novamente?

Pode ser que um dia eu volto, mas não tenho intenção alguma disso. Sobre a próxima eleição, vou escolher quem eu achar melhor e não vou falar publicamente, para não falar que o Andrés ganhou ou perdeu. Eu não quero mais isso.

O André Negão teve o nome citado no Lava Jato. Você, como deputado, ter o nome ligado a uma pessoa que possa estar envolvida em um crime, não pode sujar sua imagem?

Tem jornalista com processo pra caramba por aí também e ninguém fala nada. E no caso do André, eu conheço ele. Ele me deu a explicação, falou que não era o nome dele. Vamos ver na frente o que vai dar. Eu acredito nele.

Como é sua relação com o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o Paulo Nobre, do Palmeiras?

Muito boa. Converso com todo mundo.

O que acha de colocar dinheiro no clube, como faz o Paulo Nobre?

Eu não tenho o dinheiro que ele tem, então nem poderia fazer isso. Colocar dinheiro não acho legal, mas o Paulo se viu na necessidade de fazer isso, então respeito a decisão.

Concorda com torcedores do São Paulo, que falam que o time é “incaível”?

Isso é uma bobagem. O São Paulo já caiu em 90, no Paulista, e todo mundo sabe disso. E não tem mais essa de time que é “incaível”. Veja o Inter, que luta contra o rebaixamento. Se pegar jogador por jogador, o Inter é melhor do que o Palmeiras, mas o time não encaixou. No Palmeiras tem problemas também, mas como o time está ganhando, ninguém fala nada. É só perder dois jogos e todo mundo vai falar. Não vejo diferença entre Corinthians e Palmeiras. Na verdade, o diferencial é o Gabriel Jesus e o fato de um time ter encaixado e outro, não. Assim é o futebol e infelizmente, acredito que o Palmeiras vai ser o campeão. O Paulo Nobre merece, pois passou quatro anos fazendo uma boa gestão e merecia ganhar um grande título.

 

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