Andrés volta aos Emirados para negociar naming rights da Arena Corinthians

Responsável pela obra no estádio de abertura da Copa viaja na segunda para duas reuniões com investidores árabes

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2013 | 18h31

SÃO PAULO - O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, responsável pelas obras da Arena Corinthians, vai voltar aos Emirados Árabes na próxima semana para negociar os naming rigths do estádio. Ele embarca na segunda-feira à noite para Abu Dhabi e terá duas reuniões organizadas pelo fundo de investimentos que trata da negociação, uma na quarta-feira e outra no dia seguinte. No início deste mês, Andres esteve em Dubai para conversar com os representantes da Emirates Airlines.

A intenção do dirigente é fechar um contrato que renda ao Corinthians R$ 400 milhões. Considera 15 anos o tempo ideal, mas o prazo pode ser estendido em cinco anos. O Corinthians assinou em 13 de fevereiro deste ano um Memorando de Entendimento, documento que estabelece as diretrizes básicas do contrato, com o fundo árabe.

A primeira viagem de Andrés aos Emirados foi por conta própria. Desta vez, ele embarca a convite do fundo FCCA, que tem entre suas atividades buscar oportunidades de negócios em mercados emergentes. Junto com ele deverão viajar um advogado, provavelmente Luiz Felipe Santoro, para assessorá-lo nas conversas, e Edgar Ortiz, conselheiro do Corinthians mas que, nesse negócio atua como representantes dos árabes - suas despesas serão, inclusive, bancadas pelo fundo.

Em Abu Dhabi será feita reunião com a Emirates, mas também foi marcado encontro com a Etihad Airways, empresa que nas últimas semanas mostrou interesse no negócio por querer fortalecer seu segmento de transporte de cargas no mercado brasileiro, e fez contato com o FCCA, que faz parte de um fundo maior, a Adia (Adu Dhabi Investiment Authority), controladora das duas empresas aéreas. A comitiva brasileira, inclusive, vai se hospedar num hotel do complexo Etihad Towers. A volta ao Brasil está prevista para sexta-feira, dia 29.

O negócio com os árabes esteve bem encaminhado, mas quase foi por água abaixo em função dos problemas financeiros enfrentados por Eike Batista - ele tem relações comerciais com os Emirados e a crise de suas empresas foi entendida como um mau sinal da economia do Brasil -, pelos protestos populares ocorridos durante a Copa das Confederações e também por causa da demora da liberação da linha de crédito do BNDES.

Como o clube e a Construtora Odebrecht não conseguiam acesso ao empréstimo de R$ 400 milhões (o dinheiro ainda não saiu, aliás), o temor era de que o estádio não ficasse pronto, mesmo porque no primeiro semestre o próprio Andrés ameaçou paralisar as obras por duas vezes. A Emirates só se mostrou disposta a fechar o acordo e assinar contrato com a garantia de conclusão do estádio. Mas também foi preciso convencer os árabes de que a Arena seria concluída e também que as manifestações populares não representam desaprovação dos brasileiros com a realização da Copa.

Por isso, apenas quando a arena atingiu 94% de conclusão o fundo chamou Andrés para conversar. O fato de as manifestações populares terem diminuído e também de o sorteio dos grupos da Copa estar de aproximando ajudou a animar os árabes, segundo empresário que acompanha a negociação. Para ele, há 50% de chances de um contrato ser definido na próxima semana.

"Mas mesmo que não ocorra um acordo agora, não deverá ser um grande problema, desde que os árabes sintam solidez na proposta. E depois, como o estádio ficará um bom tempo com a Fifa por causa da Copa, eles entendem não haver pressa."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.