Angioni começa duro trabalho no Corinthians

O psicólogo Paulo Angioni, graduado na Universidade Gama Filho, no Rio, em 1980, garante que o problema do Corinthians não é para divã. A crise de identidade, resultados e a decadência é tarefa para um executivo do futebol. No caso corintiano, ele, Angioni, pode ser a pessoa indicada.Desde sexta-feira, dia 21, ocupa a cadeira de gerente de futebol do Corinthians. "Voltei para minha casa. O clube tem mais valências do que carências", diz Paulo Angioni, 57 anos - completa 58 no dia 5 de junho -, com vasta experiência na administração de clubes.No sábado, Angioni recebeu a Agência Estado para explicar como pretende salvar o Parque São Jorge. E a situação só piorou depois disso, com a humilhante derrota para o Atlético-PR, por 5 a 0, domingo, no Pacaembu.Agência Estado - Como você encontrou o Corinthians?Paulo Angioni - Foi como se tivesse voltado para casa. Estou me sentindo muito à vontade.AE - A casa não está desarrumada?Angioni - Não está. O clube vive de resultados, é da característica do futebol. O Corinthians não vive uma situação anormal. Garanto que a casa não está desarrumada. Encontrei pessoas com quem convivi aqui em 1997. Elas estão mais velhas, experientes, mais dinâmicas. Por isso mesmo não vejo dificuldade nenhuma em devolver ao clube os resultados no campo.AE - A situação do Corinthians está mais para psicólogo ou para um executivo do futebol?Angioni - Antes de analisar esse aspecto, quero revelar uma coisa que ainda não havia comentado com ninguém. Quando saí do Corinthians, em 97, eu chorei. Chorei como se tivesse deixado a minha família. Saí muito triste. Disse para mim mesmo que um dia voltaria. Daí você pode imaginar o grau da minha emoção nessa volta ao Parque São Jorge.AE - Mas a crise no clube é tarefa para psicólogo ou executivo?Angioni - Posso garantir sem medo de errar que é trabalho para um executivo. Pela minha formação na Psicologia sou sempre um aconselhador, passo as minhas convicções.Venho para substituir o Rivellino. Venho para ser o escudo. Temos aqui no clube mais valências do que carências.AE - Nos últimos quatro anos, você trabalhou em clubes do Rio, que estão quase falidos. Isso lhe dá mais handicap para administrar a crise do Corinthians?Angioni - Não sei se a palavra certa é handicap. Enfrentei problemas graves nos clubes do Rio. A grande dificuldade deles nem é a situação financeira e sim a falta de estrutura. A maioria não tem centros de treinamentos. Não é o caso do Corinthians. Estou informado que o CT de Itaquera é uma maravilha e ainda temos os campos do Parque Ecológico.AE - Mas a situação financeira do clube não preocupa?Angioni - Ainda não tive tempo para me inteirar da situação com o departamento financeiro. Pelo que me consta, os salários não estão atrasados. No Rio, além da falta de estrutura há o desgaste pelos problemas financeiros. A estrutura do Corinthians nos dá mais confiança para concretizar um bom trabalho.AE - O que você espera desse grupo de jogadores?Angioni - Posso dizer que os jogadores vão me ajudar muito. Rincón, Rogério, Marcelo Ramos e Valdson, com quem convivi, serão minhas referências. Pretendo conversar muito com eles para me inteirar de tudo. Os quatro me ajudarão muito. Você aprende muito com os jogadores. A vivacidade deles é assombrosa. Veja como eles põem apelidos nos companheiros. Não é fácil pôr apelidos.AE - Pretende conversar com o Gil? Há seis meses ele não marca um gol.Angioni - Não está acontecendo nada de anormal com o Gil. O Romário, que reputo o maior jogador do mundo dentro da grande área, ficou quatro jogos sem marcar e disse que nem dormia. O Gil não é artilheiro. Ele faz outras funções e vai voltar a marcar gols. Não vejo nada de anormal. AE - O Corinthians tem jeito?Angioni - Poxa, se tem! O Corinthians não é um desafio, é um prazer. Quando se trabalha com prazer se pode ir muito longe.

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