Angioni depõe e deixa MP perplexo

O diretor administrativo da MSI do Brasil, Paulo Angioni, esteve nesta quinta-feira no Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo e deixou perplexos os representantes do órgão que tentavam desvendar como funcionam as operações financeiras da nova parceira do Corinthians. "Ele não ajudou em nada. Mostrou total desconhecimento de sua função na empresa e de como funcionam os negócios do fundo de investimentos", disse o procurador José Reinaldo Guimarães Carneiro.Angioni não soube esclarecer ainda para que serviria a procuração que o autoriza a representar no Brasil as três financiadoras do fundo de investimentos: a MSI de Londres e as duas offshores com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a Devetia Limited e a Just Sports Inc. Carneiro explicou que caberá ao dirigente receber e movimentar os recursos destas empresas em território nacional.Passou quatro horas tentando ajudar nas investigações, mas não conseguiu. No fim da oitiva, o dirigente contou, agora à imprensa, que "nunca quis saber quem eram os investidores que financiam a MSI". Não seria problema dele. "Presto um serviço ao clube por causa da experiência que acumulei em minha carreira. Respondo apenas pelos meus atos", declarou. De acordo com o procurador Carneiro, a pena para lavagem de dinheiro no País é de 3 a 10 anos de prisão e atinge envolvidos direta e indiretamente em operações comprovadamente irregulares.Lavanderia - A suspeita do MP é a de que o iraniano Kia Joorabchian, presidente da MSI, esteja utilizando o Corinthians para "tornar limpo" dinheiro de procedência criminosa. Entre os possíveis investidores que estariam colocando bancando a parceria surgem os nomes de Boris Berezovski, milionário russo condenado por envolvimento com a máfia chechena de contrabando de armas, e seu sócio em vários negócios, Badri Patarkatsichvili, magnata georgiano proprietário da equipe Dínamo de Tbilisi. Kia, entretanto, nega o envolvimento destes dois personagens.Uma movimentação já levanta suspeitas. O adiantamento de US$ 2 milhões - dos US$ 20 milhões que seriam dados inicialmente pela MSI ao Corinthians -, depositados nas contas do clube, partiram de um político da Geórgia, Zaza Toidze. "Agora queremos levantar dados sobre este sujeito, tentar saber quem ele representa ou a quem ele está associado."Futuro - "Há indícios de lavagem de dinheiro, mas a investigação não tem prazo para acabar, ainda há uma série de etapas a cumprir", explicou Carneiro. Na semana passada, o órgão ouviu dois dos antigos sócios do fundo no Brasil, os advogados Carlos Fernando Sampaio Marques e Maurício Fleury Leitão. Assim como ocorreu nesta quinta-feira, não teve respostas para a pergunta básica do inquérito: quem são os investidores por trás da MSI. "Uma hora isso vai aparecer", acreditam os procuradores Carneiro e Roberto Porto, responsáveis pela investigação. "Quando ocorre lavagem de dinheiro, são comuns os depósitos sucessivos, com recursos entrando e saindo de diversas empresas até chegar a seu objetivo. No momento, temos de levantar informações e conhecer a fundo como vêm sendo feita as transações com o Corinthians", comentou Carneiro.

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2005 | 20h01

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