Divulgação / COL Catar-2022
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Anistia Internacional recorre à Fifa pelos direitos dos operários imigrantes da Copa do Catar

Reformas trabalhistas no pais foram anunciadas, mas nem todas são implementadas aos trabalhadores estrangeiros; Fifa vai cobrar Comitê Organizador

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2021 | 10h58

A Anistia Internacional (AI) pediu nesta segunda-feira para a Federação Internacional de Futebol (Fifa) que pressione o Catar, país sede da Copa do Mundo de 2022, para melhorar as condições dos trabalhadores migrantes no Emirado. Como outros Estados da região, o Catar abriga uma importante população migrante, com muitos operários e trabalhadores pobres procedentes do subcontinente indiano. Desde que foi escolhido como sede do Mundial de 2022, o país é examinado de maneira detalhada pela ONG no que diz respeito aos direitos trabalhistas das pessoas que estão construíndo a Copa.

"Catar procedeu um certo número de reformas positivas nos últimos anos. Mas com frequência não são devidamente aplicadas e milhares de trabalhadores estrangeiros continuam sendo explorados e sendo vítimas de abusos", afirmou a Anistia em comunicado oficial.

Mas algumas propostas discutidas pelas autoridades do Catar poderiam "reduzir a nada uma grande parte dos progressos feitos graças às reforças, especialmente ao impor de novo restrições aos direitos dos trabalhadores para mudar de emprego e para abandonar o país", destacou a ONG.

As propostas, no entanto, não serão aceitas pelo governo, informaram fontes oficiais à AFP."Os progressos acontecem de maneira tão rápida como possível para que se adaptem ao nosso mercado de trabalho", destacou o departamento de comunicação do governo do Catar em um comunicado. "O governo se compromete a trabalhar em estreita colaboração com os sócios internacionais, incluindo a Anistia", completa a nota.

A Fifa vai continuar investigando. Ela sabe que tudo o que diz respeito à próxima Copa respinga nela. "A proteção dos Direitos Humanos no plano internacional é uma prioridade absoluta para a Fifa", declarou seu presidente, Gianni Infantino, na sexta-feira, após reunião do conselho da entidade. "Devemos ser justos lá (no Catar) e admitir que aconteceram muitos avanços sobre as condições dos trabalhadores. Com certeza é possível fazer mais em todos os lugares, sempre, inclusive na Suíça", completou. A Fifa tem sede em Zurique.

A Anistia Internacional solicitou que a Fifa exerça um controle "independente e regular" de todas as sedes e projetos relacionados ao Mundial-2022 para detectar e evitar abusos. "A Fifa tem a oportunidade de contribuir para fazer do Catar um local melhor para os trabalhadores migrantes", insistiu a AI.

Sábado, a instauração de um salário mínimo equivalente a 230 euros por mês (US$ 274 ou R$ 1.500) entrou em vigor para todos os trabalhadores, um fato sem precedentes no Golfo Pérsico, de acordo com o Catar, país rico por seus recursos energéticos. Em outubro de 2019, o Catar anunciou que planejava suprimir aspectos cruciais de seu direito trabalhista, especialmente a obrigação para alguns operários de obter a autorização dos chefes para poder mudar de emprego e para conseguir uma permissão de saída do território.

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