Ano consagra o talento de Robinho

Robinho comprovou nesta temporada, para quem tinha dúvidas, o que já havia mostrado no segundo semestre de 2002 e em 2003: é um grande jogador, da primeira linha do futebol mundial. Só que agora já consolidado e maduro, apesar do sorriso moleque, do rosto de criança e dos 20 anos de idade. ?Poderei passar um fim de ano feliz, ao lado da minha mãe (Marina Souza) e com o título brasileiro?, comemora.Além de jogar bonito, dar espetáculo e saber driblar como poucos, melhorou bastante num fundamento que não dominava com tanta facilidade: o chute. O resultado foi visto no Campeonato Brasileiro, no qual marcou 21 gols e acabou como artilheiro do Santos, ao lado de Deivid.Superou, com tranqüilidade, seus concorrentes a melhor jogador da temporada na Pesquisa Estado. Com 47,09% dos votos, foi eleito o número 1 em atividade no Brasil em 2004, com vantagem de quase 20% sobre o segundo colocado, Washington, do Atlético-PR.Não se pode, no entanto, dizer que o ano do atacante santista foi perfeito. Ao contrário. Fora de campo, passou pelo momento mais difícil de sua vida. O seqüestro de Marina Souza, que durou 41 dias, o afastou do Brasileiro por 6 rodadas e quase o tirou do jogo final de sua equipe na competição, no último domingo, contra o Vasco. Mas tudo isso foi pouco perto do sofrimento de ver a mãe nas mãos de bandidos. Parou de sorrir, perdeu o sono e deixou de raspar o cabelo. Como nos velhos e bons roteiros de Hollywood, teve sua mãe de volta, sã e salva, na antevéspera da decisão contra o Vasco. Aliviado, pegou um avião e foi para Rio Preto, palco do confronto com os cariocas. Não brilhou, mas teve boa atuação na vitória de seu time por 2 a 1 e participou da festa com os colegas. ?Merecemos o título, nunca desistimos, nem quando o Atlético-PR (vice-campeão) abriu vantagem na liderança.?Apesar da regularidade na temporada, não teve o primeiro semestre dos sonhos. O Santos deixou escapar o título paulista ? derrota para o São Caetano na semifinal ? e a Libertadores ? desclassificação contra o Once Caldas nas quartas-de-final. Robinho, porém, raramente deixou de se destacar e, mesmo tendo perdido companheiros de alto nível, como Diego e Renato, seguiu exibindo futebol de craque.

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