Gabriela Bilo/Estadão
Jogadores da Ponte Preta vibram contra o Palmeiras, o único tropeço de times da capital Gabriela Bilo/Estadão

ANTES COMUNS, 'ZEBRAS' ESTÃO EM EXTINÇÃO NO CAMPEONATO PAULISTA

Melhor preparação e pré-temporada mais longa levam grandes à supremacia; em 14 encontros contra times do interiores, foram 12 vitórias e um empate

Ciro Campos; Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 07h00

As "zebras" estão em extinção no Campeonato Paulista. Nos 14 jogos entre grandes e pequenos até a quinta rodada, foram 12 vitórias dos gigantes, um empate (Mogi Mirim e Santos não saíram do 0 a 0 em Mogi) e uma derrota (a Ponte Preta venceu o Palmeiras). Ou seja, os times do Interior estão perdendo por goleada. Vários fatores explicam a vantagem, entre elas o maior tempo de preparação no início do ano. 

O Corinthians se reapresentou no dia 5 de janeiro, fez dois jogos pela Florida Cup, nos Estados Unidos, e a sua estreia no Paulistão foi apenas no dia 1.º de fevereiro. São Paulo (voltou dia 8) e Palmeiras (dia 7) seguiram cronogramas parecidos, também com espaço para amistosos. Resumidamente, os três tiveram pelo menos 23 dias de preparação. 

Em 2014, por exemplo, o tempo de preparação tinha sido muito menor. O Corinthians voltou das férias no dia 6 de janeiro e estreou no Paulista no dia 19. O Palmeiras, por sua vez, retornou no dia 3 e fez seu primeiro jogo no dia 18 de janeiro. Nos dois casos, a preparação oscilou entre 13 e 15 dias. 


Para o técnico Muricy Ramalho, reside aí a principal razão da superioridade. "Os grandes sofriam demais porque a gente colocava em campo o elenco depois de só nove dias de treinos, enquanto as equipes do interior vinham de até dois meses de pré-temporada". 

O técnico Guto Ferreira, que levou a Ponte Preta à única vitória dos times do interior, afirma que oito ou dez dias fazem muita diferença na questão física. "O time não entra 'travado' em campo", disse Guto que ganhou do Palmeiras, segundo ele próprio, por causa da sua "estratégia de jogo". 

"Antes havia uma vantagem dos times do interior na parte física. Agora os times grandes conseguiram se preparar melhor. O Palmeiras se deu ao luxo de ainda não ter estreado o Arouca", argumenta Claudinho Batista, técnico do Mogi Mirim.

Para o técnico Enderson Moreira, do Santos, a supremacia se explica pela questão técnica e também pelo aspecto físico. "A pré-temporada nos deu condições de entrarmos em situações muito melhores do que acontecia anteriormente".

LIMITE

Outro dado novo de 2015 que também favoreceu os grandes foi a limitação do número de atletas inscritos. Como só podem ser escolhidos 28, todos os clubes pegaram o que tinham de melhor. "Temos no Paulistão elencos como os de Corinthians e São Paulo, que foram montados em alto nível para poder disputar uma Libertadores", diz Claudinho. 

Além da pré-temporada maior e da seleção dos elencos, os times grandes contam com as vantagens já conhecidas, como a grande capacidade de investimento na formação dos elencos e a disputa de torneios competitivos o ano todo. "Existe uma diferença muito grande entre os clubes antes de a bola rolar", lamenta Guto Ferreira./ COLABOROU SANCHES FILHO

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