Antes 'Gordo', Ricardo Goulart vive grande fase no Cruzeiro

Meia do Cruzeiro é artilheiro do Campeonato Brasileiro e cotado para aparecer na primeira lista de convocados de Dunga

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2014 | 17h00

Esqueçam Ronaldinho Gaúcho. Agora, quem tem feito a cabeça dos mineiros é Ricardo Goulart. Nos bares de Belo Horizonte – e a capital mineira é famosa por ter praticamente um boteco em cada esquina –, é o nome do meia do Cruzeiro que está na boca dos torcedores graças ao seu futebol vistoso, moderno e inventivo.

Aqui vale um parêntese: a torcida do Cruzeiro chama o jogador de “Ricardo Gol & Arte” e tem até quem diga que ele é melhor do que Pelé por ter feito um gol antes da linha do meio de campo em amistoso contra o Chivas, do México, no mês passado, algo que o Rei tentou, mas nunca conseguiu. Exageros à parte, a verdade é que muito do bom momento vivido pelo Cruzeiro tem de ser colocado na conta de Ricardo Goulart. E os números comprovam isso. O meia é o artilheiro do Campeonato Brasileiro com oito gols e, em toda a temporada, já anotou 17 tentos e deu quatro assistências.

O jogador está bem cotado para aparecer na primeira lista de convocados de Dunga para a seleção brasileira, que será anunciada na terça-feira. Andrey Lopes, auxiliar do treinador, inclusive, foi ao Estádio Heriberto Hülse, no sábado passado, para observar o atleta no empate sem gols com o Criciúma. E não é por menos. Ricardo Goulart, 23 anos, tem se mostrado um especialista em jogar nos espaços vazios do campo. É o chamado jogador tático, que sabe aproveitar as falhas dos adversários e se movimenta com destreza. Além de ajudar na marcação, quando avança ao ataque é letal.

“Você tem de fazer a leitura da jogada. Nesses anos em que estou no futebol, amadureci bastante, olhei alguns jogadores fazendo isso e procurei aperfeiçoar. No futebol, mínimos detalhes fazem a diferença. Se todo mundo está de olho no lado direito do campo, eu vou para o esquerdo porque é lá que a bola pode sobrar limpa para mim”, diz o meia, ainda com o sotaque caipira de São José dos Campos, onde morou até os 16 anos, antes de se mudar para Santo André. 

Ricardo Goulart tem o futebol no seu DNA. É filho de Vitor, ex-volante do São José na década de 80, e irmão de Juninho, que passou pelo São Paulo e hoje está no Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos. O talento para fazer gols vem da infância no Vale do Paraíba e dos conselhos que recebia do pai e do irmão, dois anos mais velho. “Quando eles me viam chutando com o pé direito, mandavam eu bater com o esquerdo. Se eu queria dominar um lançamento com o peito, falavam para eu cabecear. Hoje, se sou um jogador quase completo, é porque a cobrança veio desde pequeno.”

Também foi na infância que ele ganhou o apelido do Gordo, dado pelo irmão. E é assim que até hoje Ricardo Goulart é conhecido no Santo André, de onde guarda boas lembranças, apesar das dificuldades que passou no clube do ABC, onde morava debaixo das arquibancadas do Estádio Bruno Daniel e dividia um quarto com duas beliches e outros três companheiros do juvenil.

Na Copa São Paulo de Juniores de 2009, marcou três gols e foi o artilheiro do Santo André. O desempenho o levou para o time profissional pelas mãos do técnico Sérgio Soares. “Tem meia que não entra na área, parece que tem medo. O Gordo já fazia isso naturalmente desde aquela época. Essa sempre foi a característica do jogo dele”, lembra Soares.

No mesmo ano, surgiu uma proposta para se transferir para o Palmeiras, mas o negócio não avançou. E a culpa foi o volante Makelele, seu ex-companheiro de clube, que um ano antes havia se transferido para o Palestra Itália. “Eu tentei contratá-lo, mas como o Makelele não tinha vingado, o pessoal ficou com medo e não quis comprar outro jogador do Santo André”, conta Sérgio do Prado, ex-gerente de futebol do Palmeiras.

Ricardo Goulart continuou no ABC até 2011, quando foi emprestado para o Internacional. No Sul, praticamente não jogou. Mesmo assim, não reclama. “Fiz grandes amigos, Guiñazú, D’Alessandro... Foi um ano em que amadureci, peguei experiência. Aprendi que tudo tem o seu tempo, a sua hora.”

E a hora de Ricardo Goulart brilhar veio, enfim, em 2012, no Goiás, onde ele foi campeão estadual e da Série B do Brasileiro e terminou o ano com 25 gols. À época, disse que aquela temporada foi “inesquecível”. Mal imaginava o que estava por vir.

Contratado pelo Cruzeiro no início de 2013, alçou voos ainda mais altos em Belo Horizonte e foi um dos destaques do título brasileiro. Esse ano, confirmou a boa fase e virou alvo de cobiça de clubes da Europa. “Já recebemos muitas sondagens, mas o Ricardo Goulart só sai daqui por um caminhão de dinheiro”, avisa o gerente de futebol do Cruzeiro, Valdir Barbosa.

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