Jeferson Guareze/AFP
Jeferson Guareze/AFP

Antes saco de pancadas, Peru vira seleção emergente e volta à final após 44 anos

Sem craques, força do time está no jogo coletivo e na organização tática

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2019 | 16h30

De azarão a surpresa da Copa América, o Peru desbancou favoritos para chegar à decisão de domingo contra o Brasil, no Maracanã. A seleção comandada pelo técnico argentino Ricardo Gareca tem mostrado uma evolução surpreendente nos últimos anos e conta com uma das gerações mais talentosas da sua história.

Antes saco de pancadas no continente ao lado de Bolívia e Venezuela, agora o Peru virou um time emergente. Nos últimos dez anos, a equipe subiu 35 posições no ranking da Fifa e ocupa hoje o 21.º lugar. No ano passado, o time foi à Copa do Mundo da Rússia depois de 36 anos de ausência.

O principal expoente dessa geração peruana é Paolo Guerrero, que atua no Brasil desde 2012, já passou por Corinthians e Flamengo e agora defende o Internacional. O atacante, inclusive, é o maior artilheiro da Copa América em atividade com 13 gols. O meia Cueva, ex-São Paulo, está no Santos e o lateral Trauco joga no Flamengo. O técnico Ricardo Gareca também tem ligações com o País e já trabalhou no Palmeiras. 

Sem craques de destaque nos grandes clubes da Europa, a força do Peru está no jogo coletivo e na organização tática da equipe. Esses, inclusive, foram os pilares do time nas vitórias contra os favoritos Uruguai (nos pênaltis) e Chile nas quartas de final e semifinal, respectivamente.

Gareca comanda a seleção peruana há quatro anos e possui um sistema de jogo bem definido. O time se fecha na defesa e explora os contra-ataques. A estratégia não deu certo contra o Brasil na primeira fase e o Peru foi goleado por 5 a 0 na Arena Corinthians. O resultado, inclusive, fez com que a descrença sob a seleção crescesse, mas o time reagiu na fase mata-mata e conseguiu dois resultados contra Uruguai e Chile considerados históricos no país que recolocaram a seleção na final da Copa América depois de 44 anos.

O Peru foi campeão em 1935 e 1975. Já o Brasil vai buscar seu nono título  (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007). Brasil e Peru somam 44 confrontos na história. O Brasil 31 vitórias. Também foram 9 empates e 4 triunfos dos peruanos.

Apesar do retrospecto favorável do Brasil, o Peru impôs uma dura derrota à seleção na última Copa América, em 2016. O Peru venceu por 1 a 0 com um gol de mão de Ruidíaz, validado pela arbitragem. O Brasil foi eliminador ainda na primeira fase e o técnico Dunga foi demitido.

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