Al-Hilal/Divulgação
Al-Hilal/Divulgação

Antigos comandados de Jesus no Al-Hilal sonham em atrapalhar o Flamengo no Mundial

Equipe dirigida pelo técnico português antes de ele desembarcar no Brasil estreia no Catar contra campeões africanos e aposta em elenco experiente, com brasileiros e Cuéllar

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2019 | 11h23

O técnico do Flamengo, Jorge Jesus, pode ter como obstáculo no Mundial de Clubes da Fifa no Catar um time competitivo que ele próprio ajudou a montar. O campeão asiático Al-Hilal, da Arábia Saudita, foi o último trabalho do português antes d sua vinda ao Brasil e joga neste sábado, às 11h (horário de Brasília), no papel de favorito diante do Esperance, da Tunísia, representante da África. Quem vencer será o adversário da equipe rubro-negra na semifinal do torneio, na terça-feira, dia 17.

O Al-Hilal leva ao Catar um elenco com vários jogadores experientes e alguns deles com boas lembranças pela convivência com Jorge Jesus por sete meses. O português dirigiu o time até janeiro deste ano e conquistou a Supercopa Saudita. Um dos autores dos gols na vitória por 2 a 1 na decisão contra o Al-Itihhad foi o meia brasileiro Carlos Eduardo, um admirador do trabalho do treinador. O atual técnico do Al-Hilal é o romeno Razvan Lucescu.

"Infelizmente, o Jorge acabou ficando pouco tempo com a gente, mas com certeza se via um trabalho de muita qualidade, muita intensidade mesmo, é uma marca dele. Acho que o Flamengo vem demonstrando esse trabalho que ele faz nos clubes", disse o jogador brasileiro ao Estado. Há quatro anos no clube saudita, Carlos Eduardo é testemunha de um grande crescimento da equipe local.

O time é campeão asiático e viaja ao Catar com nomes experientes em suas fileiras, que podem atrapalhar o sonho rubro-negro. O goleador é o francês Gomis, ex-Lyon. Ao lado dele, outro atletas importante é o italiano Giovinco, ex-Juventus de Turim. Todos chegaram ao clube graças ao investimento dos milionários donos do Al-Hilal. "Temos um time muito forte, estruturado e a diretoria aqui busca isso... montar a equipe sempre para disputar títulos. Ela é ambiciosa. Acho que isso, inclusive, é o que faz muitos jogadores se interessarem pelo projeto de atuar no Hilal, essa ambição", afirmou Carlos Eduardo, que foi revelado pelo Desportivo Brasil, de Porto Feliz.

O meia não é o único jogador do elenco com conhecimento sobre o Flamengo e o trabalho de Jorge Jesus. O colombiano Cuéllar deixou o time carioca no meio do ano após três temporadas para se juntar ao Al-Hilal. O atacante peruano André Carillo também trabalhou com o técnico português por um ano no Sporting, de Portugal. Todos formam uma espécie de núcleo de espiões contra o Flamengo. "A gente está conversando muito pouco sobre esse jogo, porque ainda é apenas uma possibilidade. Temos de fazer a nossa parte, pensar no Esperance, passar do primeiro jogo e aí sim enfrentar o Flamengo", explicou o brasileiro.

O Al-Hilal tem como inspirações as zebras recentes no Mundial de Clubes da Fifa. Times como Al-Ain, Kashima Antlers e Raja Casablanca superaram equipes sul-americanas, tidas como mais fortes, e chegaram à decisão contra potências europeias. Hilal terá como adversário por vaga na semifinal um campeão africano mais acostumado ao torneio.

O Esperance Tunis está pela terceira vez no Mundial de Clubes. A equipe tunisiana não tem estrelas. O elenco é formado por reservas da seleção local e mais alguns reforços do próprio futebol africano, como argelinos, nigerianos e marfinenses.

RIVAL DO LIVERPOOL

A outra semifinal do Mundial também será definida neste sábado. A partir das 14h30 (horário de Brasília), o representante local Al-Sadd enfrenta o Monterrey, do México. A equipe da América do Norte aposta em um plantel formado por vários jogadores argentinos para passar pelo time local, comandado pelo técnico espanhol Xavi. Na estreia, o Al-Sadd passou na prorrogação pelo frágil Hienghene, da Nova Caledônia.

TRÊS PERGUNTAS PARA... Carlos Eduardo, meia do Al-Hilal

Vocês se consideram favoritos para o jogo com o Esperance, da Tunísia?

Não dá para se considerar favorito em nenhum jogo de um campeonato tão forte quanto o Mundial da Clubes. Todas as equipes que participam dele foram campeãs, são fortes. Vamos chegar no Mundial com muita ambição, como falei, mas um passo de cada vez e tentando fazer o nosso melhor.

Nos últimos anos vários times sul-americanos caíram na semifinal do Mundial, como foi com o River Plate e Atlético Nacional. Vocês se consideram em condições de ser uma nova surpresa?

A gente trabalha para isso. Vamos respeitar todos os adversários do campeonato, vamos fazer o nosso melhor. Mas claro, assim como todos os que estão na competição, também estamos lá porque conquistamos, então vamos chegar fortes e ambiciosos.

Quais os pontos fortes do Al-Hilal? O que foi decisivo para o time se tornar campeão asiático? 

Temos um time muito forte e equilibrado. Há muitos jogadores experientes aqui, que atuaram em grandes clubes da Europa, alguns jogaram Copa do Mundo. É um time acostumado com decisões, estamos sempre brigando por títulos na Arábia Saudita e o projeto é sempre chegar forte na Liga dos Campeões asiática, e este ano conseguimos fazer isso e sair campeões.

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