Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Anvisa determinou quarentena de jogadores argentinos em reunião com CBF e Conmebol no sábado

Em nota, órgão sanitário ressaltou os esforços realizados antes da partida para o isolamento dos atletas que não estavam aptos para o jogo. Representante da delegação argentina acompanhou o encontro

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2021 | 20h14

A suspensão do clássico entre Brasil e Argentina, válido pelas Eliminatórias, segue ganhando novos capítulos. Poucas horas após a não realização da partida neste domingo, a Anvisa publicou uma nota oficial esclarecendo que se reuniu com representantes da CBF, Conmebol e da delegação argentina neste sábado, e recomendou a quarentena dos quatro jogadores argentinos que não haviam cumprido os protocolos sanitários. Entretanto, os atletas seguiram para a partida. Após o episódio, a entidade máxima do futebol brasileiro se disse "surpresa" com a ação

"Por força dessa comunicação, ainda na tarde do sábado, ocorreu a reunião já referida envolvendo o Ministério da Saúde, secretaria estadual de saúde de São Paulo, representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina. Nessa reunião, a Anvisa, em conjunto com a autoridade de saúde local, determinou, no curso da reunião, a quarentena dos jogadores", escreveu a agência. 

Na nota, a Anvisa ressalta os seguidos esforços para cumprir a legislação e ordenar o isolamento de Emiliano Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero, jogadores que atuam na Inglaterra. Desde junho, passageiros que visitaram esses países no período de duas semanas são impedidos de entrar no Brasil, como precaução contra a disseminação da variante delta do coronavírus. Os atletas deram informações falsas no aeroporto. 

Neste domingo, a Anvisa acionou a Polícia Federal horas antes do início da partida para cumprir a medida de quarenta. De acordo com a agência, as tentativas foram frustradas desde a saída da delegação argentina do hotel à Neo Química Arena, onde a partida seria disputada. Uma intervenção no vestiário também foi tentada, mas sem sucesso.  Aos cinco minutos de jogo, agentes da PF e da Anvisa entraram em campo para cumprir as ordens de quarentena. Os jogadores da Argentina se dirigiram ao vestiário e a partida foi suspensa. 

A Fifa, responsável pelas Eliminatórias, é quem decidirá o futuro do confronto. O árbitro e o comissário do jogo enviarão um relatório ao Comitê Disciplinar da entidade. Todas as decisões relativas à sua organização e desenvolvimento são da competência exclusiva da instituição.

Leia a nota da Anvisa na íntegra: 

Desde a tarde deste sábado (4/9), a Anvisa, em reunião ocorrida com a participação  de representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina recomendou a quarentena dos quatro jogadores argentinos, ante a confirmação de que os jogadores prestaram informações falsas e descumpriram, inequivocamente, a Portaria Interministerial nº 655, de 2021, a qual estabelece que viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia, estão impedidos de ingressar no Brasil.    

Neste domingo, pela manhã, a Anvisa acionou a Polícia Federal a fim de que as providências no âmbito da autoridade policial fossem adotadas de imediato. 

No exercício de sua missão legal, a Anvisa perseguiu, desde o primeiro momento, o cumprimento à legislação brasileira, que, nesse caso, se restringia à segregação dos quatro jogadores envolvidos e a adoção das medidas sanitárias correspondentes.  

Desde o instante em que tomou conhecimento da situação irregular dos jogadores – no mesmo dia da chegada da delegação - a Anvisa comunicou o fato às autoridades brasileiras em saúde, por meio do CIEVS – o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde. 

Por força dessa comunicação, ainda na tarde do sábado, ocorreu a reunião já referida envolvendo o Ministério da Saúde, secretaria estadual de saúde de São Paulo, representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina. Nessa reunião, a Anvisa, em conjunto com a autoridade de saúde local, determinou, no curso da reunião, a quarentena dos jogadores.    

Cabe esclarecer que os jogadores entraram no Brasil às 8h do dia 3/9, prestando informações falsas. Neste mesmo dia, a Anvisa identificou que as informações eram falsas e ainda na noite do dia 3/9, a Anvisa notificou o CIEVS, atualizou as autoridades de Saúde (Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde de São Paulo).  

No dia 4/9, às 17h, foi realizada a reunião com as instituições envolvidas, na qual a Anvisa e autoridade saúde de São Paulo informaram a contingência de quarentena. No entanto, mesmo depois da reunião e da comunicação das autoridades, os jogadores participaram de treinamento na noite do sábado. 

Na manhã deste domingo, a Anvisa notificou a Polícia Federal, e até a hora do início do jogo envidou esforços, com apoio policial, para fazer cumprir a medida de quarentena imposta aos jogadores, sua segregação imediata e condução ao recinto aeroportuário. As tentativas foram frustradas, desde a saída da delegação do hotel, e mesmo em tempo considerável antes do início do jogo, quando a Anvisa teve sua atuação protelada já nas instalações da arena de Itaquera.  

A ação da Anvisa, em síntese, se limitou a buscar o cumprimento das leis brasileiras, o que se limitaria à segregação dos jogadores e as suas respectivas autuações. 

A decisão de interromper o jogo nunca esteve, nesse caso, na alçada de atuação da Agência. Contudo, a escalação de jogadores que descumpriram as leis brasileiras e as normas sanitárias do país, e ainda que prestaram informações falsas às autoridades, essa assim, sim, exigiu a atuação da Agência de estado, a tempo e a modo.

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