Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Suíça alega que Marin 'repartiu' propina com dirigentes

Ex-presidente da CBF aceita ser extraditado para os EUA

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2015 | 12h12

A decisão da Suíça de aceitar o pedido dos Estados Unidos para extraditar o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin deu indícios de que outros dirigentes do País podem ser envolvidos no caso de corrupção que levou parte da cúpula do futebol das Américas para a cadeia.

Nesta quarta-feira, ao informar que Marin fechou um acordo para simplificar o processo de extradição, o Departamento de Justiça da Suíça informou que o brasileiro é "suspeito de ter aceito e compartilhado com outros responsáveis o suborno em relação com os direitos de marketing para a Copa América de 2015, 2016, 2019 e 2023".

Ele também teria "aceito e compartilhado" propinas para a Copa do Brasil de 2013 e 2022. "Seus atos afetaram financeiramente a CBF, assim como as duas associações continentais". O ex-presidente da CBF era o último dos sete dirigentes a ser examinado e, com a decisão, a Suíça acata a todos os pedidos de extradição dos EUA.

Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF, também está sendo investigado pelo FBI. O dirigente não sai há quatro meses do Brasil, temendo ser preso. Advogados consideravam que Del Nero estava aguardando uma sinalização no caso de Marin para decidir como lidaria com o cerco que se fecha contra ele. Agora, fica claro que a investigação não afeta apenas Marin.

"Por razões de segurança e conforme as regras de proteção da privacidade, nenhum informação será dada sobre o momento em que o detento será entregue", declararam as autoridades da Suíça. Agora, a polícia americana tem dez dias para buscar o brasileiro e leva-lo aos EUA para responder ao processo.

O brasileiro tem um apartamento em Nova York e já negocia uma fiança milionária que o permitirá ficar em prisão domiciliar enquanto o julgamento ocorrer. Pelo acordo, seu imóvel seria confiscado pelos americanos, além de exigir um pagamento extra de mais US$ 7 milhões.

Nos EUA, porém, seu julgamento pode levar meses, enquanto os americanos também trabalham para que o brasileiro concorde em ajudar nas investigações. Pelo inquérito americano, uma tabela de preços de propinas foi montado pelas empresas que pagaram o suborno para ficar com o contrato. Marin teria recebido US$ 3 milhões na condição de presidente da CBF.

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