Cesar Greco/ Agência Palmeiras
Cesar Greco/ Agência Palmeiras

Ao estilo Valentim, Palmeiras joga para grudar no líder

Vitória sobre o Cruzeiro pode deixar a equipe com apenas três pontos de distância do Corinthians

Gonçalo Junior, Impresso

30 Outubro 2017 | 07h00

O Palmeiras, que hoje encerra a 31.ª rodada do Brasileiro enfrentando o Cruzeiro às 20h, na volta ao Allianz Parque, renasceu na luta pelo título graças a Alberto Valentim. Ele gosta de dizer que seu estilo como técnico reúne as escolas italiana e brasileira. Também tem duas faces na vida pessoal: é metade europeu, metade mineiro.

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Ele nasceu em Oliveira, cidadezinha de 40 mil habitantes, distante 150 quilômetros de Belo Horizonte, que sempre foi o porto seguro do seu jeito tranquilo e calmo. No futebol, o melhor lateral do Brasileiro de 1996 virou gente grande após quase dez anos na Itália, onde foi até dirigente.

Nas férias de final de ano, o Alberto mineiro pede para a mãe, dona Margarida, caprichar no frango com quiabo. As galinhas são criadas no próprio sítio da família. Na porta de casa, ele pede a bênção para a matriarca, gesto que repete com o padrinho Francisco Freire, o Chicão. Foi o padrinho que ajudou a segurar as pontas emocionais da família quando Geraldo Eustáquio das Graças, pai de Alberto, morreu de insuficiência respiratória. Alberto, o Beto para a mãe, só tinha nove anos.

O técnico gosta de conversar na praça com os mesmos amigos da infância, andar com uma caminhonete antiga e ouvir Chitãozinho e Xororó. No painel do carro, várias fotos de shows e encontros com a dupla famosa. Sabe todas as letras de cor.

“A importância dele é muito grande, pois projeta o nome de Oliveira nacionalmente e internacionalmente. É um orgulho para esta terra”, diz o jornalista Carlos Alberto da Silva, autor da biografia autorizada Alberto – a trajetória de um vencedor.

Alberto é dono da maior academia de ginástica da cidade, administrada por suas irmãs, a educadora física Cristiane e a fisioterapeuta Clélia. O local também tem uma escolinha de futebol frequentada por 35 alunos de 4 a 9 anos. Ali, ele tira fotos e dá dicas privilegiadas de quem comanda um dos principais times do Campeonato Brasileiro. A criançada – e os pais – fazem fila para as selfies. “Muita gente virou palmeirense por causa dele”, orgulha-se Cristiane.

O Alberto italiano foi formado nos oito anos fora do País, onde atuou de 1999 a 2008 na Udinese e no Siena. Fez estágios de gerência esportiva na Udinese, Juventus e Roma. “Ele é vaidoso, gosta de roupas e perfumes e está sempre preocupado com a alimentação”, entrega dona Margarida. A maioria de roupas é da marca Gucci. Corre 10 km por dia para manter a forma e não sai da dieta.

Inspiração. É inspirado na Itália o jeito de jogar do Palmeiras. Depois que foi demitido do RedBull, em abril, Valentim se encontrou com seu antigo treinador que hoje dirige a Internazionale (Luciano Spalleti) para aprender e atualizar o que viveu como jogador. Foi sua terceira vez na Europa.

O Palmeiras de Valentim é organizado na defesa e na recomposição; os zagueiros formam um paredão na frente da área e correm menos, segundo eles próprios. A marcação é feita no campo do adversário; movimentação constante no ataque. Lembra um pouco o Napoli. “Esse período na Itália serviu para Alberto obter conhecimentos diferentes dos adotados no Brasil’’, diz seu biógrafo.

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