Aos 36 anos, Elivelton lidera Francana na Série A-3

Campeão nos grandes clubes de São Paulo, veterano vive a realidade dos times pequenos

Giuliano Villa Nova, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 18h07

Poucos jogadores conheceram tanto as idas e vindas do futebol como Elivelton. Campeão nos grandes clubes de São Paulo, o veterano de 36 anos também viveu a realidade dos times pequenos, sofreu com a violência e as decepções. Mas ainda não abandonou os campos e é o líder da Francana na Série A-3 do Campeonato Paulista. "Já que Franca é perto da minha cidade, Alfenas, estou tentando de novo", diz. Trata-se, na verdade, de um retorno, pois Elivelton já havia encerrado a carreira em setembro de 2007. "Acredito no projeto da Francana e, nesses próximos meses, vou tentar ajudar no acesso à Série A-2." A Francana é líder, com 14 pontos em seis jogos, e Elivelton fez cinco gols. A experiência adquirida em 19 anos de futebol fez Elivelton descobrir nova paixão: o rádio. Há quatro meses, ele e a mulher, Josélia, apresentam um programa evangélico, aos sábados, numa rádio em Alfenas. "Foi amor à primeira vista", diz, garantindo que a gagueira, sem solução até hoje, não o atrapalha. "Só no início fiquei nervoso no microfone. Cada vez tenho mais desenvoltura." Elivelton revelou-se um veloz e habilidoso ponta-esquerda no São Paulo e brilhou na conquista do Estadual de 1991. Com o tempo, aprendeu a ocupar outras faixas do gramado e hoje atua no meio. "Eu me cuido bastante e a gente aprende a se dosar. Se não tivesse dor, jogaria até os 50." Depois de fazer parte do elenco que conquistou o Mundial Interclubes em 92, Elivelton voltou a erguer uma taça, no Corinthians. Não esquece o gol do título que marcou na final do Paulista de 1995, contra o Palmeiras, em chute de longe. Do Cruzeiro, também ficaram lembranças especiais, como a do gol que deu o título de campeão da Libertadores de 1997, na decisão contra o Sporting Cristal, do Peru. "No ano passado, eu estava no Uberlândia e joguei contra o Cruzeiro. Fui substituído no segundo tempo e a torcida cruzeirense me aplaudiu de pé." Também houve momentos ruins. Em 92, quando defendia a seleção no Pré-Olímpico do Paraguai, levou uma pedrada da torcida local. Mas garante que o incidente não deixou marcas. "Só ficou uma, na minha testa." Nos últimos anos, Elivelton esteve longe dos holofotes, ao vestir camisas de times menores, como Uberlândia, Vitória (ES) e Rondonópolis (MT). Mas nunca esqueceu das lições que aprendeu com seu primeiro mestre, Telê Santana. "Eu e vários jogadores devemos muito ao Telê. Mais do que treinador, era um pai."

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