Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Luiz Felipe Scolari, técnico do Palmeiras Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Aos 70 anos, Felipão renasce no futebol e fica perto do título

Treinador do Palmeiras começa a reconquistar parte da credibilidade arranhada após vexame do 7 a 1 com a seleção

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2018 | 17h00

Quatro anos e quatro meses depois de amargar a tristeza da goleada de 7 a 1 sofrida diante da Alemanha, na Copa de 2014, o técnico Luiz Felipe Scolari está prestes a escrever mais um capítulo da história do futebol brasileiro, agora com um recorde positivo. Aos 70 anos, ele conduz o Palmeiras neste domingo contra o Paraná, em Londrina, às 17h, e está muito perto do feito de se tornar o mais velho treinador campeão brasileiro. O recorde atual é de Antônio Lopes, auxiliar de Felipão na Copa de 2002. Lopes tinha 64 anos quando ganhou o Brasileiro 2005 com o Corinthians.

A campanha quase perfeita do Palmeiras no torneio nacional sob o comando de Felipão mostra o potencial do técnico em superar críticas e desconfianças. A goleada sofrida para a Alemanha em 2014 fez o futebol nacional passar por um momento de análise, com foco principalmente na qualidade dos treinadores e no questionamento sobre a necessidade de atualização dos profissionais.

O rótulo de ultrapassado pairou sob a geração de Felipão. Após a Copa de 2014, o técnico dirigiu o Grêmio por cerca de dez meses e convivia nos estádios brasileiros com os gritos de “7 a 1” vindos das torcidas adversárias. O treinador decidiu, então, aceitar o desafio de trabalhar na China. No Guangzhou Evergrande foram três anos, sete títulos, idolatria da torcida e o plano de não voltar mais ao Brasil.

Porém, em julho deste ano, em uma madrugada, o telefone dele tocou. Felipão dormia na sua casa em Cascais, em Portugal. O convite do Palmeiras soou como convocação. “O Palmeiras precisa de mim. Eu me sinto em casa aqui”, disse o técnico ao ser apresentado.

Embora analisasse convite para dirigir algumas seleções, como a da Coreia do Sul, pesou o desejo de retornar para onde gostava, sem se importar que no futebol brasileiro ainda pudesse ser lembrado mais pelo 7 a 1 do que pelos outros títulos obtidos na carreira. “Eu posso estar mais experiente, mas consigo fazer as mesmas coisas de 20 anos atrás”, afirmou na chegada.

De fato, o estilo dele continua o mesmo. O técnico arrumou a defesa e uniu o grupo. Assim, Felipão superou críticas e desconfianças. A primeira atitude foi conseguir dar rodagem ao elenco, ao criar dois times para a disputa simultânea do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. “Ele conseguiu fazer com que todos os jogadores ficassem motivados. Mesmo quem está de fora se sente parte do grupo”, elogia o zagueiro Edu Dracena.

O Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por uma formação alternativa. Aos poucos o Palmeiras se reergueu, ao sair da sexta posição e chegar ao jogo de hoje, diante do já rebaixado Paraná, como virtual campeão. Sob o seu comando, o Palmeiras foi eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, mas não perdeu um único jogo no Nacional. Já são 19 rodadas de invencibilidade, número que iguala o recorde obtido pelo Corinthians no ano passado. A marca, portanto, pode aumentar.

Felipão conquistou elenco e torcida pelo currículo vitorioso e pela personalidade agregadora. Dono de cinco taças no Palmeiras em duas passagens anteriores (Copa do Brasil em 1998 e 2012, Rio-São Paulo em 2000, Libertadores em 1999 e Mercosul em 1998), resta agora coroar todo esse processo com o seu primeiro título do Brasileiro no clube para reconquistar parte da credibilidade arranhada depois do vexame de 2014.

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Depois de três décadas, Scolari tem um novo auxiliar

Paulo Turra assume o lugar deixado por Flávio Murtosa

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2018 | 17h01

Felipão está com novos escudeiros no Palmeiras. Depois de mais de 30 anos de parceria com o auxiliar Flávio Murtosa, o possível título brasileiro é fruto do trabalho junto com outro amigo de longa data, Carlos Pracidelli, e com Paulo Turra, companheiro recente na carreira.

Felipão chegou ao Palmeiras com os dois auxiliares, com quem já havia trabalhado na China. Murtosa não se juntou ao trabalho por questões pessoais. Turra e Pracidelli se apresentaram ao Palmeiras dias antes do técnico e tiveram participação importante na campanha, com orientações ao time, conselhos ao treinador e a observação dos adversários.

Pracidelli conheceu Felipão na década de 1990. O agora auxiliar era preparador de goleiros e se tornou pessoa da confiança, a ponto de estar na comissão técnica do Brasil na Copa de 2002. A parceria entre os dois continuou em outros trabalhos.

Turra conheceu Felipão durante o trabalho no Guangzhou Evergrande, da China. Assim como o técnico do Palmeiras, o auxiliar foi zagueiro e usa dessa experiência no seu cotidiano. Ele tem bastante participação na organização defensiva.

Apesar do pouco tempo de trabalho com Felipão, Turra conquistou a confiança dele. O técnico pediu para que o auxiliar recusasse uma proposta de um time chinês. “O Paulo vem fazendo um trabalho maravilhoso conosco. Futuramente ele vai estar em uma posição diferente, será um dos grandes treinadores do Brasil”, afirmou. “O Paulo tem a escola do Caxias, a escola do Sul. Nós gostamos de vencer”, descreveu Felipão. 

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