Aos 95 anos, morre Oberdan Cattani, ídolo do Palmeiras

Ex-goleiro, famoso pela Arrancada Heroica do Palmeiras, em 1942, estava internado no Hospital do Servidor Público há 10 dias

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

21 Junho 2014 | 00h05

O ex-goleiro Oberdan Cattani, maior símbolo da Arrancada Heroica do Palmeiras, morreu na noite desta sexta-feira, em São Paulo, aos 95 anos. Ele estava internado no Hospital do Servidor Público, na zona sul da capital paulista, há cerca de dez dias e, por conta disso, a inauguração de seu busto, que deveria ter ocorrido na quinta-feira, havia sido adiada a pedido da família. 

Oberdan Cattani foi o último representante da história do Palestra Itália/Palmeiras. De 1941 a 1954, o goleiro das mãos enormes (mediam espalmadas 26 centímetros) tinha colocação exemplar, elasticidade incrível e uma impulsão extraordinária. Chegou a roubar uma bola do craque Leônidas da Silva, então no São Paulo, com apenas uma das mãos. Corajoso, não de esquivou da bomba atirada por Cláudio Cristovão Pinho, do Corinthians, em uma cobrança de falta. A bola acertou seu rosto e ele caiu desacordado. Despertou e seguiu jogando.

Natural de Sorocaba, caminhoneiro de profissão, Oberdan gostava de parar o veículo na Avenida Francisco Matarazzo para ver os treinos do Palmeiras e admirar o desempenho de Jurandyr, seu grande ídolo. Por influência do seu irmão, Athos, e de Migue, ex-jogador palestrino, Oberdan resolveu fazer um teste, juntamente com outros 13 rapazes. Só havia uma vaga. "Com as mãos, o técnico Caetano Di Domenico arremessava a bola com uma certeza no ângulo. A primeira que ele jogou, eu puxei e trouxe até o peito. E foi assim, a tarde toda. De todos os 13 que apareceram o único que continuou treinado fui eu", disse o eterno camisa 1, em trecho do livro Goleiros, do jornalista Paulo Guilherme.

Oberdan se transformou no melhor goleiro do Brasil na década de 40, sua carreira só não foi mais espetacular por causa da 2ª Guerra Mundial, que o impediu de disputar uma Copa do Mundo. Pela seleção, disputou o Sul-Americano de 1945, mas teve uma atuação discreta. O time dirigido por Flavio Costa, que contava com craques como Heleno de Freitas, Zizinho, Jair da Rosa Pinto, Ademir de Menezes e Domingos da Guia, ficou com o vice-campeonato, atrás da poderosa Argentina. Oberdan ainda atuou pela seleção na Copa Roca, no mesmo ano, mas sofreu uma lesão no joelho em um treino e nunca mais foi chamado.

Mas pelo Alviverde paulista se tornou um dos maiores ícones em um século de conquistas. Na final do Campeonato Paulista de 1942, diante do São Paulo, quando o Palestra Itália teve de mudar de nome para Palmeiras, uma exigência do governo de Getúlio Vargas, após o Brasil entrar na Guerra contra Itália, Alemanha e Japão, Oberdan foi um dos jogadores alviverdes a entrar no gramado do Pacaembu segurando uma das pontas da bandeira nacional. O Palmeiras venceu por 3 a 1 e se sagrou campeão.

Oberdan, talvez, tenha sido o primeiro grande goleiro formado no Palestra Itália. Seu nome, para muitos, aparece em primeiro lugar, à frente de lendas como Valdir Joaquim de Moraes, Emerson Leão e Marcos.

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