Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Apenas um dos sete cartolas presos na Suíça entra com recurso

Departamento de Justiça da Suíça não revela o nome do dirigente

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2015 | 11h27

Apenas um dos sete cartolas detidos na Suíça pelas denúncias de corrupção na Fifa entrou com um recurso para aguardar o processo de extradição aos EUA em liberdade condicional. O Departamento de Justiça da Suíça não revelou o nome do dirigente. Mas, já na semana passada, advogados ligados ao caso indicaram ao Estado que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, teria a intenção de fazer tal pedido. 

O apelo foi apresentado na noite da segunda-feira e confirmado elo Departamento de Justiça da Suíça. Marin foi um dos sete cartolas da Fifa presos no dia 27 de maio, em Zurique, a pedido dos EUA e acusado de corrupção e fraude. 

Agora, o caso irá ao Tribunal Penal Federal que, nos próximos dias, julgará o recurso. Para as autoridades suíças, porém, o fato de Marin não ser suíço e não ter propriedades no país não contribui para seu recurso. Tradicionalmente, suspeitos que aguardam extradições para os EUA não recebem esse benefício diante do "risco de fuga" que existiria. 

Um outro elemento também pode pesar contra: um dos homens buscados no dia 27 e que estava no mesmo hotel onde Marin se hospedava conseguiu fugir e, até terça-feira, era um dos buscados na lista da Interpol. 

O empresário Alejandro Burzaco, de 50 anos, tomava seu café da manhã no local quando a operação policial começou. Ao se dar conta de que se tratava de uma ação contra a Fifa, deixou o local sem ser notado, não retornou ao seu quarto e conseguiu sair da Suíça. 

Nesta terça-feira, ele decidiu se entregar à Justiça na Itália, na esperança de conseguir um acordo de delação premiada nos EUA.  Ele era o CEO da Torneos, empresa implicada no pagamento de subornos a cartolas. 

Como o Estado antecipou, Marin e os demais suspeitos estão negociando oferecer uma garantia milionária à Justiça suíça para poder permanecer no país em liberdade condicional. Mas as autoridades já indicaram que nem isso pode ser suficiente. 

SAÚDE

Os advogados de Marin também indicaram seu estado de saúde e sua idade avançada - 83 anos - como elementos para convencer o juiz a conceder a liberdade condicional. Mas, pelo sistema legal suíço, são os médicos da Justiça que tomam essa decisão e, em caso de necessidade, Marin seria levado a um hospital, e não a uma casa.

 

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