Stephane Mahe / Reuters
Stephane Mahe / Reuters

Apesar de bons números, Neymar fecha temporada no PSG sob desconfiança

Atacante jogou pouco, desfalcou de novo o time nas partidas mais importantes e ainda arranjou confusões fora de campo

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 04h30

Três números chamam a atenção na temporada 2018-19 de Neymar no PSG. Ele jogou apenas 28 vezes, principalmente por causa de mais uma lesão no pé, ocorrida em janeiro e que o tirou do campo por três meses. Mas mostrou grande poder de decisão: foram 23 gols e 13 assistências, mais de uma participação em gol por jogo. Por fim, o PSG conquistou apenas um título, o do Campeonato Francês.

Dentro de campo, o desempenho do atacante, que hoje será convocado por Tite para disputar a Copa América pela seleção brasileira, foi satisfatório, e ele recebeu elogios.

“Sua primeira metade da temporada foi muito consistente. Tuchel (Thomas, treinador do PSG) fez com que jogasse em uma posição diferente. Com (Unai) Emery, no ano passado, ele sempre estava no lado esquerdo. Agora, é realmente um articulador, o número 10. Tuchel diz que seu jogador-chave precisa estar no centro do campo para ter mais liberdade”, avalia Louis Amar, jornalista da emissora francesa de TV e rádio RMC Sports.

O problema é que Neymar, mais uma vez, não esteve presente na queda do PSG na Liga dos Campeões – estava lesionado e não participou nem da ida das oitavas de final (vitória na Inglaterra sobre o Manchester United por 2 a 0) nem na volta (derrota em casa por 3 a 1). Depois do jogo em Paris, o brasileiro ainda ofendeu os árbitros, o que lhe rendeu suspensão por três jogos no próximo torneio.

“A lesão mudou tudo, pois era a segunda consecutiva. Ele teve uma parecida em 2018. Neymar foi criticado pelos torcedores do PSG, que diziam que ele veio aqui para ganhar a Liga dos Campeões, mas nunca está apto para os grandes jogos. Eu acho que os fãs do clube ainda gostam do jogador, mas esperam mais. Alguns o consideram muito ‘diva’. Então, a percepção é muito dúbia: ele é brilhante, mas está fora quando mais se precisa dele”, relata Amar.

Na Copa da França, Neymar estava presente na final e jogou bem: deu assistência para Daniel Alves e fez gol por cobertura. Só que o PSG acabou derrotado nos pênaltis. Quando ia receber a medalha de vice-campeão, o atacante foi provocado por um torcedor rival e o agrediu.

Neymar foi criticado no Brasil e Tite, cobrado para que aplique alguma punição. O ex-jogador Zé Roberto, por exemplo, disse que o atacante ainda deveria ser convocado para a Copa América, mas deve perder a braçadeira de capitão. Tuchel e Daniel Alves também reprovaram o ato. Ele recebeu outra punição de três jogos pela atitude.

ESPECULAÇÕES

Boatos de possível volta ao futebol espanhol acompanharam Neymar ao longo da temporada, fossem de um retorno ao Barcelona ou de ida para o Real Madrid. Mas é improvável que ele saia agora.

“Eu não o vejo deixando o clube nesta janela. Não acho que o PSG vai deixá-lo sair e creio que ele gosta da vida em Paris. Se o time for eliminado precocemente na Liga dos Campeões mais uma vez, com ele jogando, pode sair no ano que vem, pensando que o clube nunca vai vencer o torneio e ele não levará o prêmio de melhor do mundo jogando aqui”, crê Amar.

O jornalista considera “muito frustrante” a passagem de Neymar por Paris até agora. “Quando ele joga, vemos o quão extraordinário é. Mas não consegue mostrar nos jogos cruciais. E ele foi comprado para jogá-los. Esse é o grande desafio para Neymar no ano que vem: estar apto para ser decisivo na primavera (europeia, entre março e junho), não apenas de setembro a janeiro.”

A temporada de Neymar ainda não acabou – resta a Copa América. A esperança é que o torneio seja mais positivo para Neymar do que foi a Copa do Mundo em 2018, e ele possa voltar à França para, finalmente, ser decisivo como se espera. 

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