Apesar de torcida mista, policiamento para o Gre-Nal preocupa

O clássico Gre-Nal do próximo domingo, pelo Brasileirão, será mais um com um setor destinado à torcida mista. Além de 2,5 mil colorados em setor específico na Arena Grêmio, outros mil estarão sentados ao lado de gremistas. Mas a crise financeira pela qual passa o Rio Grande do Sul atingiu em cheio à Brigada Militar, que poderá ter problemas para ceder policiais para fazerem a segurança do clássico, o que levanta algum temor entre dirigentes.

MARCIO DOLZAN, Estadão Conteúdo

04 Agosto 2015 | 14h37

"O clássico junta as torcidas rivais, mas eu tenho a certeza que elas vão entender que a diminuição do policiamento, se houver, não pode dar ensejo a ações que não sejam as de praxe, com muita educação e respeito. Vamos esperar pelo melhor", minimizou o presidente do Inter, Vitorio Piffero, nesta terça-feira.

"A PM não está parada, ela está com dificuldades que eu tenho certeza que vão ser suplantadas. Tivemos um jogo domingo no Beira-Rio (empate com a Chapecoense) em que foi tudo tranquilo, apesar de ter tido um número reduzido de brigadianos", ponderou Piffero. "O Gre-Nal é um jogo eletrizante. Espero que se resolvam as questões de policiamento, para que tenhamos um clássico como tem que ser: bem jogado, com segurança e tudo o mais."

Já o vice-presidente de futebol do Grêmio, Cesar Pacheco, admitiu certo temor. "Preocupa, sempre preocupa. Mas acho que vão arrumar uma solução, domingo está longe ainda. Acho que as reivindicações (dos policiais) são justas, são perfeitas. Temos que esperar que haja solução, que governo e funcionários entrem num acordo que seja bom para todo mundo", avaliou Pacheco.

O dirigente gremista disse ainda ser remota a chance de o Gre-Nal ser adiado. "Achamos que vai ter o Gre-Nal, não vamos nos resguardar esperando que não tenha. Vai ter porque não temos mais data, não tem como fazer transferência", explicou. "Não se cogitou transferir, mas não sai jogo em lugar nenhum se não houver policiamento. Isso é lei, então a gente fica preocupado. Mas vamos fazer a nossa parte e espero que o Estado faça a sua."

TORCIDA MISTA - Tanto Vitorio Piffero quanto Cesar Pacheco aprovam a adoção da torcida mista. O presidente colorado foi mais longe e disse que irá solicitar que o clássico do segundo turno, no Beira-Rio, tenha toda a torcida gremista misturada a de colorados.

"Eu, por mim, estenderia para todos os ingressos dado ao adversário. Fui desaconselhado a fazer isso, mas quando se jogar esse clássico no Beira-Rio vou tentar que seja assim. Tudo com torcida mista. É a garantia da civilidade no estádio, é a garantia que não haja vandalismos e depredação de patrimônio. Tanto lá (na Arena) quanto aqui (Beira-Rio). É minha pretensão, vou ver se consigo fazer no Beira-Rio", disse o presidente do Inter.

"Sou do tempo que o futebol a gente assistia lado a lado com os colorados, separados por uma corda, e não tinha problema nenhum. Hoje você coloca dois batalhões da força pública e cachorros para cuidar, quando o esporte é para unir, não para separar ou fazer briga. Penso dessa forma e acho que a torcida mista, um fato que foi inédito lá no Rio Grande do Sul, tem que ser meio a meio até. Com o tempo, o pessoal que vai para o esporte tem que se educar - os que não são educados - para ir se divertir, e torcer pelo seu time civilizadamente", considerou Cesar Pacheco.

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