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Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2015 | 17h00

Dois dos maiores clubes do Brasil, Palmeiras e Santos disputam um jogo histórico neste domingo. Embora estejam acostumados a protagonizar grandes conquistas, os rivais não se encontram em uma final desde o Paulista de 1959, quando desfilaram craques de todos os lados do campo.

O jogo que sacramentou o título estadual do Palmeiras aconteceu no dia 10 de janeiro de 1960, após outros dois confrontos. O estadual foi disputado em pontos corridos e ambos chegaram com 63 pontos. Após empatar por 1 a 1 (Pelé e Zequinha marcaram) o jeito foi disputarem mais duas partidas também no Pacaembu. No primeiro, 2 a 2 com Pepe marcando duas vezes para o time da Baixada e Getúlio (contra) e Chinesinho anotando para o Alviverde.

"Marcou bastante para mim o segundo jogo, porque consegui fazer duas vezes, de pênalti, mas o time do Palmeiras era muito bom e nosso grande adversário. Corinthians e São Paulo não tinham vez", lembra Pepe, o Canhão da Vila.

Até que na terceira partida, finalmente um vencedor. O Santos abriu o placar com Pelé, mas o Palmeiras mostrou muita força e conseguiu uma incrível virada, com gols de Romero e Julinho Botelho, sagrando-se campeão paulista após oito anos sem taça.

"O time do Santos era muito bom e não era só o Pelé. O que o Pepe chutava era um absurdo. É que nosso time também era espetacular", lembra o ex-goleiro Valdir de Moraes.

Santos e Palmeiras tinham vários jogadores na seleção brasileira e paulista – que deixou de existir – e eram os protagonistas do futebol brasileiro. "Futebol mudou muito, mas espero um grande jogo", disse Pepe.

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Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2015 | 16h59

Foi uma das decisões mais equilibradas que você disputou?

O Palmeiras era o único time que conseguir disputar com o Santos. Fazíamos grandes jogos, e esse foi um dos melhores que fizemos. O time do Santos lembra-se muito do Pelé, mas aquele time era todo fantástico. Conto com orgulho para meu neto que eu tive a honra de jogar contra e a favor daqueles craques, inclusive, claro, o Pelé.

Como foi a preparação para os jogos?

O Brandão era um psicólogo por natureza e nos passou muita tranquilidade. Entramos muito focados. A gente pensava no clássico e ele fazia com que a gente confiasse que tudo ia sair bem. Era um treinador diferenciado.

Quando o Santos abriu o placar, o que pensou?

Tínhamos uma equipe sensacional e acreditávamos que dava para virar. Mas foi sofrido e precisamos nos superar para ser campeões.

O Santos foi o maior adversário da sua vida?

Sem dúvida foi um dos maiores adversários da minha carreira. No interior existiam grandes clubes também na época do Campeonato Paulista. 

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Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2015 | 16h59

Por que o Palmeiras ficou com o título?

Eles tinham um grande time, e o Lula apostou no Pagão e no Jair da Rosa Pinto, que não tinham atuado no jogo anterior. Eles sentiram, e como não tinha substituição, complicou. Ficamos debilitados e não tinha como colocarmos outros jogadores no lugar. Jogar com dois a menos contra um time tão qualificado como era o Palmeiras, ficava complicado.

Imaginou que a final demoraria tanto para se repetir?

Incrível, né? Eu tinha 24 anos. Só agora, eu com 80 anos, repetem esse jogo.

Tentou reverter a situação com seus chutes de fora da área?

Claro. Sempre falavam do Pelé, mas de vez em quando eu soltava uma bomba e complicava a vida do goleiro. Mas desta vez, não deu.

Tecnicamente, não dá para comparar, mas taticamente, vê alguma semelhança entre as equipes daquela época para as atuais?

Também não. O futebol mudou muito. O Zito era o sexto atacante do Santos. Os atacantes atualmente são mais sacrificados, têm que marcar e tudo mais. Hoje, quando se colocam dois na frente já falam que o técnico é ousado. 

Palpite para domingo?

Eu vou torcer para o Santos, claro. Acho que o Santos tem uma equipe jovem e é mais equilibrada, mas será um jogo muito disputado. Minha torcida é pelo Santos, mas prefiro não apostar quem leva. 

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