Christophe Petit Tesson/ EFE
Christophe Petit Tesson/ EFE

Após a despedida dolorosa, ovações de boas-vindas recebem Messi em Paris

Astro do futebol Lionel Messi afirmou em entrevista coletiva que sair do Barcelona foi um “momento muito difícil”, mas que está empolgado em se juntar ao novo clube

Elian Peltier, The New York Times

13 de agosto de 2021 | 10h32

Quando Lionel Messi disse adeus ao Barcelona, na Espanha, seu lar desde a infância lugar onde cresceu para se tornar um dos maiores jogadores de futebol do mundo, ele estava aos prantos. Três dias depois, na quarta-feira, quando foi formalmente apresentado para seu novo clube, o Paris Saint-Germain, as lágrimas dos torcedores eram expressões de alegria. E Messi, carregando o agasalho de seu novo time, trocou a forte emoção por um sorriso tranquilo.

“Ainda quero jogar e ainda quero vencer”, afirmou ele em entrevista coletiva, na quarta-feira, sentado ao lado do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi. Sair do Barcelona foi um “momento muito difícil”, afirmou ele, acrescentando, porém, que estava “muito feliz” de estar em Paris. “Quero continuar crescendo e conquistando títulos.”

A contratação de Messi pelo PSG, na terça-feira, representou a mais significativa - ainda que nada surpreendente - movimentação na história recente do futebol, que incontáveis fãs, tanto na França quando na Espanha, ainda lutavam para compreender enquanto  Messi adentrava ao campo do Parque dos Príncipes, o estádio do PSG, seu novo lar.

A movimentação reforçará a superioridade do PSG na liga doméstica da França, a Ligue 1, que tem lutado para atrair atenção nos anos recentes. E tornará o clube o absoluto favorito da Liga dos Campeões, o único troféu que interessa aos seus patrocinadores catarianos, que o time nunca levantou e que seu presidente sonha em conquistar antes de o Catar sediar a Copa do Mundo, em dezembro de 2022.

“Não ganhamos nada”, afirmou Al-Khelaifi, ignorando os sete títulos da Ligue 1 que o clube venceu nas últimas nove temporadas. “Isso é só o começo.” Do lado de fora do estádio, torcedores cantavam e estouravam bombas de fumaça enquanto aguardavam um vislumbre do craque argentino. “Isso é maravilhoso”, afirmou Alexandre Marienne, de 32 anos, que levava nos ombros seu filho de 8 anos, Kamil. “Ele vai nos ajudar a construir algo incrível. O Paris está definitivamente competindo com os gigantes do esporte agora.”

A apresentação de Messi ao PSG foi a culminação espetacular de dias em que torcedores e jogadores do Barcelona se despediram, em choque, do maior jogador do clube, enquanto na França o suspense tomava conta dos fãs. Antes de tomar o caminho para Paris, Messi repetia que não queria deixar o clube que fez dele quem ele é, que ele tinha feito “de tudo para ficar” no Barcelona. Os torcedores devotos também queriam que ele ficasse. O clube queria que ele ficasse. Na quarta-feira, Messi afirmou que será estranho voltar para a casa usando um agasalho diferente quando jogar contra seu ex-clube.

Mas as forças financeiras que mandam no jogo se mostraram maiores do que desejos individuais ou coletivos. O Barcelona não conseguiu pagar o preço de Messi, mesmo depois de ele oferecer cortar pela metade seu salário. Então, ele acabou aqui, em Paris, prestes a jogar a francesa Ligue 1, onde regras financeiras similares às que ataram as mãos do Barcelona não entrarão em vigor por mais alguns anos.

“No momento que cheguei aqui me senti feliz”, afirmou Messi na entrevista coletiva, antes de saudar os fãs que o aguardavam do lado de fora. Ele está se juntando a um elenco já cravejado de craques, que até agora os torcedores só sonhavam juntar em videogames. Este verão, o PSG acrescentou à equipe o goleiro italiano e recente vencedor do Campeonato Europeu Gianluigi Donnarumma, o meio-campo holandês Georginio Wijnaldum e o zagueiro espanhol Sergio Ramos - todos donos de seu próprio passe, como Messi.

Ainda assim, ver Messi ostentando cores de outro time que não o Barcelona, algo impensável até a semana passada, causou estranheza mesmo quando ele adentrou ao campo do Parc des Princes, na quarta-feira. Ele vestirá a camisa 30, número que usou no Barcelona de 2004 a 2006. Neymar, o brasileiro que era o principal nome internacional do PSG até agora, continuará com a camisa 10.

É raro na era moderna do futebol um atleta ser tão associado com um único time - Messi  mudou-se para Barcelona quanto tinha apenas 13 anos; e o PSG será provavelmente seu último clube na Europa. Mas as legiões de torcedores que ovacionaram Messi na chegada à nova casa o acolheram em um abraço que, momentaneamente, ofuscou a mensagem mais obscura que sua transferência mandou a respeito do esporte que ele tanto domina e a nostalgia sentida na Espanha.

Eles não vieram discutir os perigos da imensa vantagem de um pequeno grupo de clubes podres de ricos, que compram e mantêm os jogadores que desejam. Eles vieram simplesmente ver o Messi. Homens e mulheres, muitos acompanhados de filhos pequenos, vieram de todas as partes de Paris e de outras cidades francesas - distantes e próximas. Alguns nem franceses eram. Mas na quarta-feira todos se uniram por Messi.

Messi chamou a eufórica recepção de “loucura” e afirmou estar animado para voltar a jogar bola com alguns dos melhores jogadores do mundo. Com Neymar e Kylian Mbappé ao lado de Messi, o PSG terá o melhor ataque na Europa, ainda que não esteja clara a maneira como Mauricio Pochettino, o técnico do time, planeja encaixar tantos craques na mesma equipe.

Desde que o Catar se tornou o principal acionista do Paris Saint-Germain, em 2012, os torcedores testemunharam um constante fluxo de atletas, alguns dos jogadores mais caros do mundo, chegar ao clube, de Zlatan Ibrahimovic a Neymar, David Beckham a Mbappé, Gianluigi Buffon a Ramos. Nenhum outro clube contratou tantos craques nos últimos 10 anos.

Isso atraiu críticas de inúmeros clubes, jogadores e técnicos na França e no exterior, que argumentam que agora a competição não é justa e beneficia equipes financiadas por países, como o  PSG e o Manchester City./ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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