Após acidente, Defesa Civil interdita parte da obra da Arena Palestra

Trecho interditado equivale a cerca de 10% da área total da obra do novo estádio do Palmeiras

Breno Pires e Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 14h17

SÃO PAULO - A Defesa Civil interditou parte das obras da Arena Palestra, onde um acidente provocou a morte de um funcionário e deixou outro ferido na manhã desta segunda-feira. A interdição acontece em razão da morte do operário Carlos de Jesus, de 34 anos, esmagado na queda de quatro lajes no local onde futuramente funcionarão os camarotes.

Ao todo, foram interditados 4.800 metros quadrados nas obras do estádio do Palmeiras. O trecho vai do setor 20 ao 32 e corresponde a aproximadamente 10% da área total da construção. Não há restrições nas demais dependências da arena, informou a Defesa Civil. O corpo de Carlos de Jesus foi removido do local por volta das 15h30 após análise da perícia. O funcionário que saiu ferido se chama Crispiniano Santos. Ele foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com um corte na cabeça e um ferimento no punho, e permanece em observação, em bom estado.

O Palmeiras, dono da Arena, lamentou a morte do operário em nota oficial publicada às 15h50. "Em nome de toda a comunidade palestrina, a agremiação alviverde manifesta total solidariedade à família que perdeu um ente querido, no desejo de que tenha muita força neste momento difícil."

A WTorre informou, também em nota, que as obras no estádio só serão retomadas na quarta-feira. A terça-feira será de luto. A empresa afirmou ainda que tem oferecido assistência psicológica e material aos familiares de Carlos de Jesus e de Crispiniano dos Santos. A Polícia Civil abriu inquérito policial para investigar o caso, registrado no 23º Distrito Policial, em Perdizes. O delegado Marco Aurélio Batista, responsável pela investigação, disse que engenheiros e testemunhas seriam ouvidos ainda nesta segunda-feira.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil de São Paulo, Jair Paca de Lima, as lajes desabaram porque a sustentação delas, feita por mãos francesas, cedeu. Além das vítimas, havia três funcionários no local. Eles conseguiram escapar sem ferimentos. Paca de Lima afirmou que ainda não se pode apontar responsáveis pelo ocorrido. "Inicialmente, acreditamos em um acidente. Ainda não é possível afirmar se houve um responsável ou não. Vocês (imprensa) sabem que mesmo grandes obras estão sujeitas a fatalidades."

Ninguém da família apareceu em público no estádio do Palmeiras até a retirada do corpo da vítima. O único operário da obra a conceder entrevistas foi Rogério Pereira dos Santos, em seu primeiro dia de trabalho. O operário mostrou dúvidas sobre a segurança do local. "Acho que o que aconteceu foi da parte de engenharia ou uma fatalidade mesmo. Já é a segunda vez que vejo esse tipo de estrutura desabar do nada. Eu acho que pode ter havido um erro de alinhamento", disse, referindo-se à sustentação da laje. Rogério contou também uma infeliz coincidência: no momento do acidente, ele e outros trabalhadores estavam assistindo a uma palestra sobre segurança do trabalho.

A construção da Arena Palestra teve início em outubro de 2010 e tem previsão para ser entregue em fevereiro de 2014.

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