Guilherme Amaro/Estadão
Guilherme Amaro/Estadão

Após briga, torcedores de São Paulo e Palmeiras podem ser denunciados por associação criminosa

Confusão aconteceu depois do clássico da última quarta-feira. São-paulinos fizeram uma emboscada aos palmeirenses na estação Vila Clarice da CPTM

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2019 | 17h42

Os torcedores das organizadas Independente, do São Paulo, e Mancha Alviverde, do Palmeiras, que se envolveram em confusão na noite da última quarta-feira, após o clássico no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, podem ser denunciados por associação criminosa. Um são-paulino foi espancado. O delegado titular da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva, Cesar Antonio Borges Saad, investiga o caso e obteve nesta sexta-feira novas imagens de câmeras de segurança da estação Vila Clarice da CPTM. Nenhum torcedor foi preso até o momento.

“A Polícia Civil está adotando agora uma nova linha de investigação. Além do crime do Estatuto do Torcedor, que é tumulto e incitar violência, agora tem associação criminosa. De imediato, a primeira punição é a proibição de entrar nos estádios. Já comunicamos a Federação Paulista de Futebol, mas isso não vem sendo uma medida capaz de acabar com a violência. Quem espera torcedores em uma estação com barras de ferro não pode ser só proibido de entrar nos estádios”, disse Saad.

Os são-paulinos realizaram uma emboscada para os palmeirenses na estação da CPTM. No entanto, os palmeirenses estavam em maior número e revidaram. O torcedor do São Paulo Daniel Marki Barreto foi espancado em um posto de gasolina próximo da estação. Ele recebeu golpes e chutes quando já estava desmaiado. O torcedor teve ferimentos na cabeça e nos braços, mas recebeu alta médica e foi ouvido pela Polícia Civil na quinta-feira.

Na versão dele, os são-paulinos estavam esperando um outro amigo que desembarcaria na estação. Os vídeos das câmeras de segurança, porém, mostram que a intenção era realizar uma emboscada aos palmeirenses.

"Ele é vítima no primeiro momento, mas agora também é um dos autores de todo esse tumulto que foi causado", afirmou Saad. "Foi briga de torcida, com essa rivalidade que tem entre as organizadas", acrescentou.

Um torcedor do Palmeiras também foi identificado pela Polícia Civil. Ele ficou ferido na confusão, recebeu atendimento médico em um hospital e teve alta. Deve ser ouvido pelo delegado nos próximos dias. Com as imagens e depoimentos, a polícia agora busca identificar os outros envolvidos na briga.

Exemplo. Sete torcedores da Independente que se envolveram em briga no último domingo, na Praça da República, antes da partida contra o Atlético-MG, continuam presos. A confusão aconteceu porque a organizada vive um racha entre os integrantes. Houve outros conflitos entre os são-paulinos neste ano, e a organizada está proibida de entrar com faixas e bandeiras nos estádios.

O diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas, Osvaldo Nico Gonçalves, reforçou que a Polícia Civil adotará medidas mais duras contra torcedores envolvidos em brigas. “A postura mudou. Estamos com sete torcedores presos que não saíram na audiência de custódia. Estamos tendo um apoio muito grande do Ministério Público de São Paulo e da Justiça, que estão segurando os torcedores presos. Nessa briga que ocorreu na quarta-feira, vamos identificar todos os envolvidos e pedir a prisão preventiva”, afirmou Gonçalves.

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