Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Após Copa, Guerrero vive momento de incertezas na carreira

Atacante peruano tem seu contrato com o Flamengo perto do fim, além de ainda não estar livre do caso de doping

Leandro Silveira, enviado especial/Sochi, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 07h06

A luta de Paolo Guerrero para participar da Copa do Mundo na Rússia foi exitosa, mas agora, com a participação do Peru na competição encerrada, o atacante inicia uma fase de incertezas. O centroavante ainda não está livre do caso de doping que quase o deixou de fora da competição e ainda pode ter que procurar um novo clube, já que o seu contrato com o Flamengo está perto do fim.

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Na última terça-feira, no dia em que o Peru se despediu da Copa com a vitória por 2 a 0 sobre a Austrália em Sochi, o Flamengo oficializou a contratação do atacante colombiano Fernando Uribe, em um indicativo claro de que não pretende seguir com Guerrero após o fim do seu vínculo - o acordo se encerrará em 10 de agosto.

O peruano reiterou o discurso de que vai se reapresentar ao Flamengo nos próximos dias, mas já admite que precisará procurar um novo clube para dar sequência na sua carreira. "Vou voltar para o Flamengo e cumprir meu contrato. Se tiver oportunidade de renovar, vamos renovar. Caso não, vou procurar outro time", afirmou.

Mas o futuro de Guerrero não passa apenas pela sua provável saída do Flamengo e acerto com outro clube. O atacante peruano só pôde disputar a Copa do Mundo por ter conseguido um efeito suspensivo no Tribunal Federal Suíço da sua punição por doping imposta pela Fifa e ampliada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês).

 

Guerrero testou positivo para benzoilecgonina, um dos metabólitos da cocaína, em outubro de 2017, em exame realizado após confronto entre Peru e Argentina pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo. O centroavante assegurou que a substância foi consumida por meio da ingestão de um chá que estaria contaminado, alegando inocência.

Inicialmente, a Fifa o suspendeu por um ano, depois reduziu a pena para seis meses, o que permitiria a sua participação na Copa do Mundo. Só que em novo recurso, a CAS ampliou o gancho de Guerrero para 14 meses. O atacante, então, conseguiu efeito suspensivo na Justiça comum da Suíça, que voltará a julgá-lo, após receber a argumentação do tribunal máximo do esporte, mas ainda sem uma data definida.

Aos 34 anos e ainda com esse imbróglio a resolver, Guerrero nem pensa em deixar os gramados, mesmo após alcançar o objetivo de participar de uma Copa do Mundo, tendo se despedido da Rússia com um gol marcado, o segundo do triunfo sobre a Austrália, por 2 a 0. "Espero continuar jogando futebol, que é minha paixão", declarou.

Guerrero também avisou que nem cogita se aposentar da seleção peruana. A equipe já tem amistosos marcados para o início de setembro, diante de Holanda e Alemanha, e o seu primeiro grande objetivo é a Copa América no Brasil, em 2019. Além disso, ele sonha com a chance de jogar o Mundial de 2022 no Catar, mesmo que com 38 anos. "Me sinto muito bem para jogar na seleção. Até que meu corpo não consiga fazê-lo, vou jogar", afirmou.

Mas apesar dos objetivos alcançados, Guerrero reconhece que esperava ir mais longe com o Peru na Rússia. O atacante, que apontou a inatividade como um fator que atrapalhou o seu desempenho, avaliou que a equipe poderia ter se saído melhor nas derrotas para Dinamarca e França, ambas por 1 a 0. "Tivemos muitas chances nos dois primeiros jogos, mas não fomos efetivos. Vamos embora muito tristes por achar que poderíamos ter feito mais", concluiu.

 

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