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Após cumprir mandados de busca, MP diz que ex-dirigentes do Inter agiam como 'organização criminosa'

Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga desvio de recursos e outros crimes na gestão de Vitorio Piffero

Redação, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2018 | 13h41

O Ministério Público do Rio de Grande do Sul (MP-RS) cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em residências e empresas de Porto Alegre, Eldorado do Sul e Viamão ligadas a ex-dirigentes do Internacional, entre eles, o ex-presidente Vitorio Piffero. Os dirigentes são investigados por suspeitas de desvio de recursos e diversos outros crimes durante a gestão de Piffero, nos anos de 2015 e 2016.

Em entrevista coletiva realizada no início da tarde, representantes do MP qualificaram a ação dos dirigentes como uma organização criminosa, com braços nos principais setores do clube e com participação direta do ex-presidente. Também são investigados o ex-vice de Finanças Pedro Affatato, o ex-vice de Administração Alexandre Limeira, o ex-vice de Patrimônio Emídio Marques Ferreira, o ex-vice de futebol Carlos Pellegrini e o ex-vice jurídico Marcelo Domingues de Freitas e Castro.

Segundo o MP, as irregularidades englobam desvio de recursos para obras que nunca foram realizadas, superfaturamento de gastos, como a compra de passagens aéreas, e pagamento de propina na contratação de jogadores, além de acordos trabalhistas com jogadores prejudiciais ao clube em favorecimento de terceiros. As suspeitas se tornaram públicas em 2017, após um relatório de uma auditoria contratada pelo clube apontar indícios de irregularidades nas contas. Não existe um prazo definido para conclusão das investigações. 

"O Inter além de colaborar durante a investigação inteira, o Inter é vítima de todos esses fatos. Estávamos diante de uma organização criminosa. A partir do momento em que o clube tem em todos os braços importantes do clube, o patrimonial, o financeiro, o jurídico e o esportivo, esse tipo de desvio, havia organização criminosa. E a participação do presidente. Não se imagina que cada um dos dirigentes estivesse agindo por conta própria, sem a ciência. Principalmente um presidente que era participante. Participava do futebol, chegou a exercer o cargo na própria gestão. Tinha participação em todas as esferas em que constatamos as fraudes", afirmou o promotor Flávio Duarte, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP.

OUTRO LADO 

A reportagem tentou contato com os ex-dirigentes, mas eles não retornaram os pedidos de esclarecimento até a conclusão desta reportagem. Por meio de uma nota enviada ao Estado, o Internacional afirma que vai buscar formas de ressarcimento ao clube, se houver comprovação dos fatos, e afirma que manifesta apoio às investigações do Ministério Público Estadual. Abaixo a nota na íntegra:

O Sport Club Internacional manifesta apoio às investigações do Ministério Público Estadual (MPE). Trata-se de assunto extremamente grave e relevante, precisando ser esclarecido com celeridade, zelo e segurança. Se houver a comprovação dos fatos por ora investigados, a direção irá em busca das medidas legais para o ressarcimento dos recursos aos cofres do Clube.

Da mesma forma que colaboramos com a sindicância interna, que a partir dos apontamentos do Conselho Fiscal levaram à rejeição das contas da gestão 2016, e com as investigações do MPE, o Clube segue à disposição para contribuir com os promotores no que eles solicitarem.

Marcelo Medeiros - Presidente do Sport Club Internacional

 

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