Reprodução/Site oficial AFA
Reprodução/Site oficial AFA

Após denúncia de assédio sexual contra Sampaoli, Argentina veta jornalistas em treino

Apenas alguns veículos, autorizados pela Associação do Futebol Argentino (AFA), acompanharam a atividade na cidade de Bronnitsy

Glauco de Pierri, enviado especial / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 13h22

O primeiro treino aberto da seleção da Argentina para a Copa do Mundo de 2018 foi, digamos, "meio" aberto. Apenas poucos torcedores que estiveram no centro de treinamento onde a equipe se prepara, na cidade de Bronnitsy, a cerca de 70 quilômetros de Moscou, puderam entrar para acompanhar os jogadores da equipe. Nem mesmo todos os jornalistas que estiveram no local conseguiram entrar. Só pôde conferir o trabalho quem a Associação do Futebol Argentino (AFA) permitiu.

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Do lado de dentro do CT, o trabalho dos jogadores foi bem básico. Nada de jogadas ensaiadas, apenas toques de bola, chutes a gol sem muita pretensão. O técnico Jorge Sampaoli não gosta de treinos abertos e precisou aceitar a imposição da Fifa. O clima na seleção argentina é meio tenso, principalmente pela denúncia feita por um jornalista da Rádio Mitre, de Buenos Aires, de que o treinador da seleção teria abusado sexualmente de uma funcionária da federação do país.

O assunto é delicado até mesmo entre os jornalistas locais que estão acompanhando a seleção e quase ninguém fala abertamente nisso. A assessoria de imprensa da seleção, então, tem trabalhado de forma intensa para tentar abafar o caso. O próprio treinador já disse que não pretende processar a funcionária.

Se do lado de dentro apenas alguns poucos torcedores entraram, do lado de fora foram pelo menos cem que se aglomeraram em frente ao portão para tentar enxergar alguma coisa. A maioria, claro, argentinos, mas também foram vistos os simpáticos mexicanos, iranianos e até mesmo um garoto russo de dez anos, Maxim Solodkov, que mora em um conjunto habitacional de classe média que fica bem em frente ao local onde Lionel Messi e seus colegas estão treinando - a diferença de Maxim para as outras crianças é que ele estava com calção e camisa da seleção brasileira.

 

"Adoro o futebol brasileiro", disse o garoto ao Estado. Ele usava um modelo com o número nove às costas e o nome de Luis Fabiano, atacante que defendeu a seleção na Copa de 2010, na África do Sul. "Sei que no Brasil tem o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que é a capital do País. Sabe, eu gosto muito de geografia, acho que é a matéria que eu mais gosto na escola", disse o menino, que fala inglês fluente. "Também gosto de inglês. Português é muito difícil?", brincou o menino, se interessando pela conversa entre dois repórteres brasileiros ao seu lado. Na Rússia, o garoto torce para o Spartak Moscou, mas ele gosta mesmo é do Manchester City. E no Brasil, conhece o Flamengo e o Palmeiras, time que revelou um dos seus ídolos. "Eu gosto muito do Gabriel Jesus. Ele é muito bom!".

A Argentina estreia na Copa do Mundo no sábado, às 11h (horário de Brasília) contra a Islândia, em Moscou. A seleção de Messi tentará o tricampeonato mundial na Rússia - a equipe não conquista um título de expressão desde a Copa América de 1993 e isso tem sido um peso para os jogadores da seleção.

 

 

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