Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Após denunciar abusos no futebol, ex-jogador do Santos lamenta escândalo da ginástica

Ruan Petrick, que há um mês denunciou abuso sofrido nas categorias de base do time, diz que casos do tipo são frequentes

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 07h00

Menos de um mês após ter tomado coragem para revelar a história de abuso sexual que teria sofrido quando jogava na base do Santos, Ruan Petrick Aguiar de Carvalho, de 19 anos, vê com desânimo o escândalo na ginástica artística brasileira pelos mesmos motivos. E afirmou que casos assim são mais frequentes do que se imagina em diversas outras modalidades.

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“É muito comum, mais do que a gente pensa. Por isso que resolvi falar. E agora que aconteceu isso, deu uma repercussão grande. Foram 40 garotos que denunciaram. E tem de criar coragem, mesmo, falar, para que isso acabe ou, pelo menos diminua. Porque acabar, do jeito que o mundo está, vai ser difícil”, lamentou o jogador.

No caso dele, a acusação foi feita contra Ricardo Marco Crivelli, o Lica, que coordenava as categorias de base do clube. A Delegacia de Repreensão e Combate à Pedofilia, em São Paulo, abriu inquérito para investigar o suposto crime. Ruan relatou que o abuso teria ocorrido quando ele tinha 11 anos de idade, em 2010. Lica foi afastado pelo Santos e ainda é aguardado para prestar depoimento. 

Medidas. A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) divulgou ontem ata de uma reunião realizada por orientação do Ministério Público do Trabalho (MPT) na qual foram definidas algumas providências a serem tomadas depois das denúncias contra o ex-treinador da seleção brasileira masculina, Fernando de Carvalho Lopes. 

Entre elas, está a criação, em uma semana, de uma cartilha contendo recomendações e proibições de conduta baseando-se no artigo do Código de Ética da Confederação que versa sobre assédio moral e/ou sexual. Ainda ficou definido que o Comitê de Ética e Integridade precisará ser formado em um mês.

Também se acertou que o campeão olímpico Arthur Zanetti será indicado como garoto-propaganda em campanhas de combate ao assédio, abuso, racismo, manipulação de resultados e outras formas de violência ou fraudes na ginástica.

Vale lembrar que Zanetti é treinado por Marcos Goto, acusado por algumas das vítimas de Fernando de omissão, por supostamente conhecer as histórias que circulavam a respeito dos abusos do então treinador do Mesc, clube particular de São Bernardo do Campo onde Fernando fez carreira, e não tomar nenhuma providência. 

Goto reiterou junto à CBG que desconhecia os tais abusos. A Confederação, por sua vez, “reafirmou seu compromisso e confiança” perante o coordenador técnico da seleção brasileira, que ainda deverá depor.

Outra personagem também acusada de omissão foi a psicóloga Thais Coppini, que trabalhava no Mesc. Em nota encaminhada à imprensa, ela se defendeu: “Não trabalhei em nenhum momento com os atletas que se identificaram e se manifestaram, sendo que, quando entrei para equipe eles já não estavam mais no Mesc. Reafirmo que em nenhum momento tive conhecimento dos fatos reportados, e que nunca nenhum atleta relatou qualquer acontecimento de abuso sexual do técnico”, disse.

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