Juan Ignacio Roncoroni/EFE
Juan Ignacio Roncoroni/EFE

Após eliminação, técnico da Bolívia cobra melhora na estrutura do futebol do país

Eduardo Villegas cita 'campeonato inferior se comparado aos outros sul-americanos'

Redação, Estadão Conteúdo

22 de junho de 2019 | 21h24

Para o técnico Eduardo Villegas, o desempenho fraco da Bolívia na Copa América, da qual se despediu sem vencer um jogo, passa pela falta de estrutura disponível no futebol de seu país. Os bolivianos encerraram a sua participação no torneio com um revés por 3 a 1 para a Venezuela, neste sábado, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Na última entrevista coletiva no Brasil, o treinador não aliviou e fez duras críticas aos responsáveis por comandar o futebol na Bolívia. Segundo Villegas, o resultado na Copa América seria melhor se houvesse desenvolvimento no esporte em seu país, de modo que os clubes fossem mais fortes e organizados.

"Nós temos um campeonato inferior se comparado aos outros sul-americanos. O exemplo claro são nossos clubes na Copa Libertadores e Sul-Americana. Não avançaram (às oitavas de final). O fator mais importante é a organização dos clubes, que não dão valor às divisões de base. Sem formar jogadores, você precisa comprar. Nós sabemos que os clubes compram jogadores ao invés de produzir os jogadores", criticou.

No cargo de técnico da Bolívia desde janeiro deste ano, Villegas usou o exemplo do defensor Erwin Saavedra, que teve uma breve passagem pelo Goiás em 2017, para elucidar a critica en relação às mazelas do futebol boliviano.

"Erwin Saavedra foi figura muito importante para o Bolívar ser campeão (do Campeonato Boliviano). Mas aqui (na Copa América) ele não consegue desenvolver seu melhor futebol porque nosso campeonato tem um nível inferior. É uma pena eu ter que mencionar um dos jogadores da Bolívia, mas foi preciso, peço desculpas. É a realidade do nosso futebol", lamentou.

O comandante, que já havia apontado "atraso geral" no futebol da Bolívia, afirmou que a solução para fazer o esporte avançar em sua nação passa pelo investimento na formação de jogadores e criticou as limitações na infraestrutura dos clubes, como o fato de haver poucos campos para os times treinarem.

"Não vejo, neste momento, nenhuma outra possibilidade de solução para o nosso futebol (a não ser investir na formação)", apontou. "Nós temos muitas limitações na infraestrutura na maior parte dos clubes. As pessoas acham que tendo só um campo é suficiente. A maior parte dos times tem isso, um campo pro elenco profissional e, em alguns casos, para algumas categorias de base. Campo de grama natural não resiste a isso", acrescentou.

Não houve só lamentações e cobranças na entrevista. Villegas avaliou que a seleção boliviana tem mostrado evolução nos últimos jogos e disse que deixará o Brasil feliz pelo crescimento individual de alguns jogadores.

"Houve uma evolução desde o nosso jogo contra a Nicarágua, passando por Japão, Brasil e Venezuela. Claro que houve evolução, mas ela não se manifesta de forma muito rápida. Nós viemos para dar o melhor de nós, tentar, com essa seleção jovem, encontrar uma identidade e um nível de jogo. Vou embora relativamente feliz por alguns garotos", completou.

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